21/05/10

Persona (1966)

Tal como com outros destacados exemplos do cinema de autor europeu dos anos 60, muita da discussão crítica de A Máscara, de Ingmar Bergman, classificou-o como obscuro e impossível de captar por palavras. É certo que o realizador queria que o seu filme fosse um poema visual, e preparou a famosa sequência do género de abertura para acentuar isso. A sequência funciona como um resumo introdutório do perfil artístico de Bergman, como se ele quisesse armazenar e começar tudo de novo. De facto, todo o filme pode ser visto como uma etapa para um beco sem saída existencial .
A intriga de A Máscara é construída como um jogo de poder. Inicialmente a mais forte das duas mulheres parece ser a enfermeira psiquiátrica Alma (Bibi Andersson), especialmente porque parece segura de si e só ela fala tomando o controlo das coisas. Mas face à sua enigmática doente, a famosa actriz Elizabet Vogler (Liv Ulman) a atitude estável de Alma começa a derrocar. As suas conversas terapêuticas transformam-se em confissões dos seus desejos e segredos. Gradualmente ela é despida da sua própria persona, máscara de mentiras e dá um significado à sua existência.
O clímax de A Máscara chega numa famosa cena onde as duas mulheres se sentam uma em frente uma à outra, ambas com idênticas roupas negras. Alma começa a falar da rejeição de Elizabet à maternidade e ao casamento, e depressa se vê a falar das suas próprias duvidas sobre a vida de família que ela desejava. Ao constatar isso, tenta retomar o controlo, mas só consegue produzir frases incoerentes. É nesta altura que Bergman usa o efeito óptico de fazer a fusão dos rostos das duas mulheres numa imagem perturbada.
O filme termina logicamente com Alma a fazer a única coisa que pode para recontruir a sua vida: regressa ao mundo comum e rejeita Elizabet como a outra. Na cena final voltamos ao hospital. Alma agora com o seu antigo uniforme e persona obrigando a Elizabet a repetir a palavra nada. De volta ao rapazinho na morgue (o filho indesejado de Elizabet? O feto abortado de Alma?). E então o projector pára. Escuridão.

4 comentários:

  1. Um clássico de Bergman! Grande filme. :)

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  2. Gracias por hablarnos de esta maravillosa película y lo siento si desvarío hablando de ella.(así la interpreto…)
    Persona (1966) es la película que, en mi opinión, supone el punto más alto de estudio psicologico-fílmico de la naturaleza humana. Abordando el propio proceso creativo, introduciendo elementos distanciadores muy brechtianos a lo largo de la película, para crear la consciencia de que lo que estamos viendo es una recreación de algo, no una pretendida realidad.

    Fellini en Otto e mezzo (8 ½) (1963) había allanado ya el terreno para que algo así pudiera ser propuesto al espectador. Fellini proyectó los deseos infantiles de un adulto (fantasías inmaduras) exteriorizandolas para tomar distancia respecto a ellos y poder reinterpretarlas racionalmente en base a la lógica.
    Afrontar en la vigilia un papel que suele corresponder o desempeñar los sueños, en una evolución filmico-psicológica desde la perspectiva onírica ya abordada a su vez por Bergman en 1957 con Smultronstället (Fresas salvajes).

    La enfermera de Bergman intenta conseguir la curación de Liv basándose en la comunicación con ella, sin conseguir de la otra parte más que el silencio. La actriz se va adueñando pausada pero constantemente de la personalidad de la enfermera, interpreta el punto de vista que la otra persona, extrovertida o creativa, ha querido compartir. Pero su propia personalidad, introvertida y analítica, niega la posibilidad de compartir la suya a una Bibi que poco a poco se va dando cuanta de su incapacidad de acceder a ese mundo mientras que desde este, la actriz con hermetismo arrogante se ríe y se cierra al otro.

    Se produce una convivencia en la diferencia como las diferentes capacidades de los hemisferios derecho e izquierdo conviven en el cerebro de una misma persona y Bergman lo manifiesta con los fuertes contrastes de negros saturados y blancos quemados a la vez que en alguna ocasión como en la escena del sueño la atmósfera neblinosa y uniforme plantea un atisbo de comunicación entre ellas (como ya intuyo en Fresas salvajes que se producía).

    Si te preguntas por su punto de vista, por si Bergman es parcial, razonarías que se posiciona con el punto de vista de la actriz (que es más disciplinada y domina la situación), sin embargo esta opinión creo que es un engañoso subproducto del hemisferio cerebral (el izquierdo) que empieza a trabajar ahora después de un visionado en el cual el h.izquierdo no ha dejado de verse reflejado en unas cuestiones que son universales porque son los instintos básicos por lo que, le guste o no a nuestro h.derecho, pasamos y afrontamos todo ser humano (la pulsión positiva -sexo, desarrollo...- y la negativa -conservación, destrucción o muerte...-).

    Por ello, la obra creo que concentra un carácter de ambigüedad, de bipolaridades coexistentes en un grado de complejidad a un nivel por encima incluso de Zerkalo (El espejo) de Tarkovsky. (Es la Gioconda cinematográfica).

    Vanguardista también por las forzadas interrupciones del hilo narrativo mediante la utilización de diferentes recursos —con el objetivo de compaginar implicación emotiva con distanciamiento para cuestionar racionalmente lo expuesto—.
    (...espero que tenga sentido esto, ?)

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  3. Na minha opinião, Persona não é somente um filme. É uma análise profunda dos medos, angústias e culpas que todos nós sentimos. Bergman, como um cientista, através da lente entra no inconsciente e amplia todo o sentir para melhor compreender a existência humana.
    Quanto a Alma e Elizabet, ambas são os dois lados de uma moeda só moeda. A primeira conformada e repleta de uma felicidade que se desvanece, e a segunda corajosa por saber dizer não. Apesar das diferenças notáveis elas são iguais. As suas vidas são conduzidas pela culpa e pelo medo.
    E, tal como dizes, talvez Bergman seja parcial, não sei. Alma deixou de usar a máscara, apesar de ser actriz. Deixou de falar no meio de uma peça e negou tudo aquilo que a fazia parecer com Elizabet. Desse modo abdicava de todo o sofrimento, de tudo o que esperavam dela, de existir sem sentido, no fundo, de toda a pressão exercida pela sociedade.
    Felllini já em 63 tinha realizado Otto e mezzo (8 ½), uma das mais inventivas criações do reflexo no espelho do próprio criador. O seu processo mental, bem como os suas dilemas psicológicas são encenados para quem aprecia os mecanismos psíquicos.
    O cinema de Bergman procura pôr em causa, questionar, e não dar respostas. A famosa sequência de abertura é a prova disso mesmo.

    Alberto,obrigada por partilhares a tua opinião sobre Persona no meu blogue.

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