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22/07/10

O Couraçado Potemkine (1925)





O Couraçado Potemkine é considerado o melhor filme russo e um dos grandes filmes da história do cinema mundial.
Potemkine foi um filme encomendado por Lenine para comemorar os vinte anos da revolta dos marinheiros e de todo o apoio prestado por estes ao proletariado na luta contra o czar. Compreende-se assim que o filme de Serguei Eisenstein seja também um dos maiores filmes de propaganda da história. Foi filmado na União Soviética em 1925, onde narra a história da revolta da tripulação da marinha russa, em 1905. Mostra toda a situação precária dos marinheiros oprimidos e revoltados contra os constantes abusos. Eisenstein transmite melhor que ninguém, toda a envolvência da união dos povos que lutavam contra a desigualdade e por melhores condições de vida.
Esta película teve décadas de censura em diversos países por ser considerado perigoso e subversivo, ensaios incontáveis que analisam a sua estrutura, simbolismo, origens e efeitos, milhares de citações visuais, tudo isto contribuiu para obscurecer a estória por trás do filme. É notável não só a visão lendária sobre a opressão e a revolta, a acção individual e colectiva, mas também a ambição artística de trabalhar em simultâneo com corpos, luz, objectos triviais, símbolos, rostos, movimentos e formas geométricas. Eisenstein revolucionou o modo de se fazer filmes com as suas inovadoras técnicas de fazer o corte e a montagem.
Muitos são os espectadores que só viram os extractos ou sequências mais famosas de Potemkine. Ficarão decerto surpreendidos, ao experimentarem a força desta história comovente e dramática, que a película transmite, quando a virem na totalidade.
O filme tem várias imagens memoráveis o carrinho do bebé que cai dos degraus ; o rosto de um marinheiro morto sob uma tenda no fim do cais ; os vermes na carne; os óculos do poder político. Mas a cena aterrorizante da escadaria de odessa, é talvez o momento mais brilhante de todo o filme. Sequência que Brian de Palma copiou em The Untouchables em 1987.

14/07/10

Metropolis (1927)







Metropolis que originalmente durava mais de duas horas, é o primeiro épico de ficção cientifica, com os seus enormes cenários, centenas de figurantes, efeitos especiais de última geração e sequências fantásticas de grande inovação. A película do director austríaco Fritz Lang, um dos célebres representantes do expressionismo alemão, colocou os estúdios da UFA à beira da falência , dado que este foi um enorme fracasso de bilheteira.
A distribuição desta dispendiosa película foi interrompida, pouco depois da sua estreia e, contrariando os desejos de Lang, o filme foi remontado. A maior parte do público conheceu ,assim, uma Metropolis simplificada e até colorida como é o caso da versão de Giorgio Moroder nos anos 80. Só no século XXI nos aproximámos da verdadeira obra de Lang devido a uma restauração parcial que recuperou muitas cenas ignoradas durante décadas e as colocou na sua ordem original e com os intertítulos correctos. Em lugar das cenas ainda não encontradas foram inseridas legendas de ligação. Esta nova versão dá ao filme que era considerado de ficção científica uma visão mítica, uma vez que elementos de arquitectura, indústria, design e política dos anos 20 são misturados com referências medievais e bíblicas. É criado assim, um ambiente de estranheza impressionante: um cientista louco com uma mão de aço que é em simultâneo um alquimista, um robô queimado na fogueira, os trabalhadores de uma de uma fábrica enorme marcham penosamente em direcção à mandíbulas de uma máquina.
A história passa-se em 2026, um século depois do lançamento do filme. A narrativa trespassa a realidade da época. A Revolução Industrial tinha atingido o seu auge, o sistema capitalista dava sinais de desgaste, havia um certo pessimismo relativamente ao futuro.
Fritz Lang traça um retrato do que iria acontecer no futuro nos grandes centros urbanos.
Metropolis é um território que se encontra claramente dividido entre os senhores e a classe operária, mas também pelas máquinas.
O Homem e a tecnologia estão intrinsecamente ligados, numa relação de dependência, que ilustra bem o domínio da máquina sobre o ser humano.

06/07/10

Un Chien Andalou (1928)


A estreia de Luís Buñuel na realização feita em parceria com o pintor Salvador Dali, está gravada na história do cinema, por muitos motivos, mas acima de tudo devido à imagem que nos ocorre quando nos lembramos do filme: a de uma uma lâmina que corta um olho ao meio. Muito se especula sobre o significado desta imagem emblemática. Para uns é uma táctica de choque, para outros um símbolo da visão modernista, para outros um exemplo da violência masculina sobre as mulheres, e ainda para outros, um anúncio de um nova visão da realidade. Uma coisa é certa, a imagem, bem como todo o filme, possui um forte carácter onírico com claras influências da psicanálise, Buñuel e Dali exploram o inconsciente humano. Un Chien Andalou tem sido reduzido demasiadas vezes a uma sequência de imagens impressionantes, que para muitos poderá parecer desconexa e incongruente: um cavalo morto sobre um piano ou formigas a sair de uma mão. É esquecido deste modo o que dá à obra coerência, uma narrativa que faça sentido, por entre os fragmentos do inconsciente do espectador. A realidade que interessa aos surrealistas. Até ao fim da sua carreira, Buñuel nunca deixou de explorar esta dialéctica entre a racionalidade e as forças profundas do id.

15/06/10

Häxan (1922)

















Häxan, o célebre “documentário” de 1922, realizado pelo cineasta dinamarquês Benjamin Christensen, é uma película muda, bizarra e excêntrica que explora a evolução da bruxaria desde a Pérsia antiga até ao início do século XX. Obra prima do cinema fantástico. O filme documenta as perseguições movidas contra as feiticeiras numa Europa atravessada pela intolerância religiosa e pela inquisição.
Häxan foi feito a partir de uma série de quadros inspirados em Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel.
Häxan é considerado o mais importante antepassado de películas de possessão demoníaca como, por exemplo, “O Exorcista”(1973). O filme tornou-se um favorito do surrealismo. A sua influência fez-se notar em filmes como “L´Age d´Or” (1930) de Luís Bunuel. Os produtores do filme "The Blair Witch Project" (1999), deram o nome de "Häxan Films" à sua produtora. Não espanta o apreço que os surrealistas nutriam por esta película, nem sequer com a notoriedade que adquiriu no final dos anos sessenta, quando foi lançada como um filme da meia-noite, cuja narração estava a cargo de William S. Burroughts.

12/06/10

La passion de Jeanne d’Arc (1928)


O último filme mudo de Dreyer, a sua obra prima e a película mais perfeita sobre Joana d ´Arc é um filme sublime.
Este é o cinema no estado puro, não há artifícios.
Todo o filme é filmado quase exclusivamente em grandes planos que dão uma enorme densidade interior às personagens. A melhor forma de espelhar toda a espiritualidade. Joana interpretada por Renée Falconetti , desempenhou o seu papel sem qualquer maquilhagem, pois Dreyer entendia que sua aplicação iria ocultar o realismo.
Este é considerado um dos melhores trabalhos realizados no cinema. É simplesmente magistral. Alegria, tristeza, esperança, medo e tantas outras emoções humanas são perfeitamente caracterizadas por Falconetti apenas por expressões de seu rosto.
Todos os filmes de Dreyer se tinham baseado, até à altura, em obras de ficção ou peças de teatro, excepto este que foi inspirado em manuscritos oficiais do processo de julgamento da donzela de Orleães, ou melhor em partes muito comprimidas desse processo.
A história passa-se num único dia, no interior de um tribunal, exceptuando uma ou outra cena no exterior. Joana D' Arc defende a sua fé com uma convicção inabalável diante de juízes e teólogos.
O lado humano de Joana D' Arc é confrontado com o lado desumano dos juízes que a julgam, com o intuito de a subjugar.Os juízes representam a inflexibilidade da Igreja diante a ameaça que ela representa aos seus interesses.
É presa, humilhada, torturada e interrogada da maneira impiedosa por um tribunal eclesiástico, que a levou, involutariamente a blasfemar. É colocada na fogueira e morre por Deus e pela França.

07/06/10

Nosferatu, Eine Symphonie des Grautens (1922)




















O filme que marcou a primeira aparição de Drácula nos ecrãs permanece a mais assustadora e mágica de todas as versões desta história.
Drácula de Brain Stoker, foi fonte de inspiração de um dos filmes mudos mais extrordinários de sempre.
Murnau já se tinha tornado uma estrela do movimento expressionista alemão , quando decidiu passar para filme Drácula, cujo nome teve de ser alterado para Nosferatu em virtude de ameaças de procedimentos legais.Murnau usou o romance sem permissão e foi processado por violação dos direitos de autor.
Por pouco não escapou a uma sentença do tribunal que ordenava a destruição de todas as suas cópias .
Uma das causas da superioridade de Nosferatu em relação a outros filmes acerca de Drácula é a presença impressionante do actor Max Schreck. Murnau criou algumas das imagens mais inesquecíveis do cinema com o Conde Orlok arrastando-se no seu castelo, rodeado de sombras arrepiantes e em perseguição de Hutter. A sua figura pouco difere dos ratos que comanda, quando passeia em busca de sangue.
Grande parte do filme foi rodada em exteriores, com uma técnica de iluminação adaptada da pintura, onde o contraste entre as áreas escuras e claras é realçado criando uma atmosfera gótica.
Todo o suspense no filme é criado de forma fabulosa por Murnau que nos carrega até uma história do fantástico do melhor que já foi feito no cinema de terror.

08/05/10

The Gold Rush - 1925

A Quimera do Ouro exemplifica bem uma das crenças de Charlie Chaplin, segundo a qual a tragédia e a comédia andam de mãos dadas.
Chaplin criou uma comédia, em que o nosso familiar Vagabundo decide decide tornar-se prospector de ouro e juntar-se assim à multidão de corajosos optimistas, que está pronta a enfrentar a fome, o frio e a solidão.
A Quimera do Ouro, em todos os aspectos, foi o filme mais elaborado da carreira de Chaplin. Durante duas semanas, foram feitas filmagens na Sierra Nevada. Cerac de 600 figurantes, na sua maior parte vagabundos e sem abrigo, foram trazidos de comboio para escalaram o trilho de 700 metros, escavado através da neve da montanha. As filmagens principais ocorreram num estúdio de Hollywood, onde foi possível criar uma das mais longas cenas de suspense cómico do cinema, na qual a cabana dos mineiros é empurrada pela tempestade para a beira de um precipício, onde fica a baloiçar.
O filme está cheio de cenas de comédia que se tornaram clássicas. Os horrores da fome no século XIX são bem relatados em diversas sequências. Charlot e o seu companheiro Big Jim (Mack Swain) presos pela neve, são corroídos por uma àvida vontade de comer.Charlot cozinha a sua bota como se tratasse de um gourmet.
Aos olhos do seu companheiro ele transforma-se de modo intermitente numa galinha, digna de ser cozinhada.
Charlot sonhava oferecer um jantar a uma bela dançarina interpretada por Georgia Hale, que substituiu Lita Grey de dezasseis anos, quando esta engravidou e casou com Chaplin. Outra cena famosa do filme é a dança dos pãezinhos. Chaplin transmite às pernas dançantes, criadas a partir de garfos e pãezinhos, uma personalidade contagiante.
Charles Chaplin afirmou com frequência, que A Quimera do Ouro era o filme pelo qual queria se lembrado.