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11/06/11

"The Stanley Kubrick Archives"




Este fim de semana, foi editado no Ipsilon, um artigo muito completo de Francisco Valente, (autor do blogue "Da Casa Amarela") sobre a obra de Kubrick. A sua publicação decorreu na sequência do sucesso da exposição do espólio de Kubrick na Cinemateca Francesa, as novas edições do seu trabalho em livros e o relançamento dos seus filmes. Uma pequena parte deste artigo pode ser lido aqui.

A propósito desta notícia, deu-me uma súbita vontade de recomendar uma das obras ali citadas, que possuo desde 2008, com uma pontinha de orgulho e vaidade, ainda para mais tendo-me esta sido oferecida. Trata-se de "The Stanley Kubrick Archives", um estudo absolutamente fabuloso de toda a obra de Kubrick, editado por Alison Castle, na Taschen.

Para mais detalhes encontram tudo aqui.

06/03/11

Ai que susto...!

Dei comigo a pensar, a propósito do Carnaval, em meia dúzia de filmes possíveis a visionar nesta época. Foi pelo lado do terror, que me apeteceu ir. Filmes que pelo mistério ou sugestão, explicita ou não, provocam alguns bons arrepios e calafrios na espinha...

Natural Born Killers (1994),Oliver Stone


They Live (1988), John Carpenter


Terror na Auto-Estrada (1986), Robert Harmon


Shining (1980), Stanley Kubrick


Psycho (1960), Alfred Hitchcock


Nosferatu (1922), F. W. Murnau


The Fly (1986), David Cronenberg


Eraserhead (1977), David Lynch


Häxan (1922) Benjamin Christensen

28/05/10

Clockwork Orange (1971)


O mais controverso filme de Stanley Kubrik, um crítica social feroz em forma de ficção cientifica realizada em 1971. Foi retirada pelo próprio autor de circulação do Reino Unido durante cerca de 30 anos. É uma transposição do romance opressivo de Anthony Burgess para o cinema.
Delinquente mas esperto, Alex De Large (Macolm McDowell) excita-se com pornografia, Beethoven e diverte-se a liderar o seu bando “Droogs”, vestido de chapéu de coco e de branco, tem rasgos de forte violência durante as quais fala uma linguagem muito especial. Após os seus actos violentos vemos a sua punição e a sua “reabilitação” sob a forma de um cobarde e lambe botas, que acaba por ser tão assustadora como as malvadezas dos Droogs. Torna-se uma sátira acérrima à hipocrisia, corrupção e sadismo da sociedade em geral. Procurando sair da prisão Alex oferece-se para uma terapia experimental , sendo sujeito a uma cura de comportamento. Amarrado com correias e os globos oculares totalmente expostos, procura-se suprimir as suas tendências violentas, mas por outro lado fica privado de toda a sua humanidade, torna-se um indivíduo fragilizado. De regresso ao mundo, é atraiçoado pelos seus colegas, que se tornaram polícias, passa a sofrer com aqueles que antes eram as vítimas.
Esta é uma obra única que tanto nos faz sentir repulsa como nos faz sentir carinho por Alex . Consegue encarnar todos os males da sociedade de diversas formas. Estão lá todas as pulsões mais reprimidas dos nossos intintos. É um ser que nunca tem consciência do bem e do mal, está para além da moral. Diverte-se à custa do sofrimento alheio. É um demónio.
"A Laranja Mecânica" é uma obra de extremos, bela e repugnante, cómica e trágica, um filme único.
A crítica de Kubrick, mordaz não poupa instituições como a Igreja, o Estado, o Exército ou a Polícia.
Kubrick é um dos poucos realizadores marxistas. Nunca precisou de assinar manifestos ou de marchar em protestos para assumir a sua ideologia que aparece de forma subtil na sua filmografia. Os seus heróis lutam, igualmente, contra as várias máquinas que a sociedade coloca nos seus caminhos, sejam elas a máquina política, a máquina militar, a máquina religiosa, ou mesmo a máquina capitalista. Ao mesmo tempo, a sexualidade, a libertação máxima do ser humano, e por isso mesmo tão reprimida pela Igreja e pelo Estado, surge nos filmes de Kubrick livre de preconceitos, onde Eyes Wide Shut é o exemplo perfeito.
O olho e o olhar, o sexo e a violência, o papel do Estado e a maneira pouco democrática como este actua sobre os cidadãos, o gozo com a polícia, todas estas premissas atravessam Laranja Mecânica e obrigam-nos a pensar e a meditar.