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28/08/11

Go, go Second Time Virgin

"Go, go Second Time Virgin" Kōji Wakamatsu (1969)

26/07/11

Chikamatsu Monogatari (1954) Kenji Mizoguchi

"Chikamatsu Monogatari" (Os amantes crucificados), evidencia a sociedade feudal do Japão, numa época de repressão, em pleno século XVII, fixada por hierarquias de deveres e direitos. Um homem e uma mulher, de classes sociais desiguais, são injustamente perseguidos. Num país regido por leis desumanas e opressivas, a fuga torna-se na única saída possível. Uma história trágica em que Mizoguchi, mais uma vez, cruza o amor e a morte como elementos de destaque da narrativa. Nada mais lhes resta senão a morte, como o título deixa adivinhar, surgindo como forma de libertação, quiça para a eternidade. A história é desenvolvida com grande intensidade, tanto nos momentos de felicidade como nos de infelicidade dos protagonistas. Mizoguchi, mais uma vez denuncia o abuso do poder e a ambição desenfreada do homem, elevando o que há de mais puro em matéria de afectos e sentimentos. Extraordinária a fotografia a preto e branco, com destaque para as cenas nocturnas, a do barco por exemplo. É mais um dos grandes filmes de Mizoguchi.

17/07/11

Sansho Dayu - Kenji Mizoguchi (1954)





























No Japão medieval um governador é enviado para o exílio pelas suas ideias humanitárias. A esposa e os filhos tentam juntar-se a ele, mas pelo caminho são enganados e separados. As crianças, Zushio e a irmã Anju, são vendidas como escravos e crescem num meio de sofrimento e opressão, por causa da escravatura imposta pelo Intendente Sansho. A mudança de vida e as duras condições de vida a que são expostos faz com que tomem uma decisão drástica que vai mudar por completo o curso das suas vidas.
Mizoguchi, concentra a acção do filme na descida ao abismo de uma família de ascendência nobre, que tem sempre como referência e na memória os ideais preconizadas pelo chefe de família.
Mizoguchi num apelo claro à liberdade e a valores como a solidariedade e fraternidade, contra a exploração do homem pelo homem, dando voz aos oprimidos.
Mais uma vez, Mizoguchi reflete também a sua sensibilidade, numa arte elevada, fixando o seu olhar sobre a mulher, desta vez representando o amor, o altruísmo e o sacrifício, até à exaustão de uma mãe e uma irmã. A história é reforçada por uma encenação e fotografia magníficas. Uma obra prima que dá lugar a larga reflexão.

09/07/11

Ugetsu Monogatari - Kenji Mizoguchi (1953)


























Inspirado em dois contos de Akinari Ueda (1734/1809), Ugetsu Monogatari é talvez o filme mais célebre do mestre Kenji Mizoguchi. A história passa-se em 1583 durante a guerra civil japonesa, quando dois camponeses se perdem pelos caminhos da ambição sem limites, um para ser rico o outro para ser guerreiro. Ugetsu Monogatari /Os Contos da Lua Vaga exploram as bifurcações mais obscuras da existência humana, entre o real e o imaginário. A essência do filme reside no entrelaçamento da realidade com o sobrenatural. Mizoguchi conduz-nos de uma dimensão à outra de uma forma surpreendente. O estilo que domina é de enquadramentos repletos de takes longos e suaves movimentos de câmara, evitando delicadamente a necessidade de cortes. Mizoguchi faz um retrato humanista da brutalidade no Japão feudal e demonstra um interesse particular, pela sabedoria e pelo sofrimento das mulheres que se vão atravessando ao longo da história. Ugetsu representa as mulheres como vítimas, elas são abandonadas, apesar dos sacrifícios, devido à ambição desmesurada e ao egocentrismo dos homens. Ou ainda Lady Wakasa, como femme fatale, sedutora /fantasma, por quem Genjuro, o oleiro, numa atmosfera de luxuria, fica cego, esquecendo tudo para trás. É quase um filme pró-feminista fora do tempo. Filme de rara beleza visual.Um clássico intemporal. Obra prima! Ugetsu alcançou o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1953 e a Medalha de Ouro do Festival de Edimburgo, em 1955.