Tal como com outros destacados exemplos do cinema de autor europeu dos anos 60, muita da discussão crítica de A Máscara, de Ingmar Bergman, classificou-o como obscuro e impossível de captar por palavras. É certo que o realizador queria que o seu filme fosse um poema visual, e preparou a famosa sequência do género de abertura para acentuar isso. A sequência funciona como um resumo introdutório do perfil artístico de Bergman, como se ele quisesse armazenar e começar tudo de novo. De facto, todo o filme pode ser visto como uma etapa para um beco sem saída existencial .
A intriga de A Máscara é construída como um jogo de poder. Inicialmente a mais forte das duas mulheres parece ser a enfermeira psiquiátrica Alma (Bibi Andersson), especialmente porque parece segura de si e só ela fala tomando o controlo das coisas. Mas face à sua enigmática doente, a famosa actriz Elizabet Vogler (Liv Ulman) a atitude estável de Alma começa a derrocar. As suas conversas terapêuticas transformam-se em confissões dos seus desejos e segredos. Gradualmente ela é despida da sua própria persona, máscara de mentiras e dá um significado à sua existência.
O clímax de A Máscara chega numa famosa cena onde as duas mulheres se sentam uma em frente uma à outra, ambas com idênticas roupas negras. Alma começa a falar da rejeição de Elizabet à maternidade e ao casamento, e depressa se vê a falar das suas próprias duvidas sobre a vida de família que ela desejava. Ao constatar isso, tenta retomar o controlo, mas só consegue produzir frases incoerentes. É nesta altura que Bergman usa o efeito óptico de fazer a fusão dos rostos das duas mulheres numa imagem perturbada.
O filme termina logicamente com Alma a fazer a única coisa que pode para recontruir a sua vida: regressa ao mundo comum e rejeita Elizabet como a outra. Na cena final voltamos ao hospital. Alma agora com o seu antigo uniforme e persona obrigando a Elizabet a repetir a palavra nada. De volta ao rapazinho na morgue (o filho indesejado de Elizabet? O feto abortado de Alma?). E então o projector pára. Escuridão.
A intriga de A Máscara é construída como um jogo de poder. Inicialmente a mais forte das duas mulheres parece ser a enfermeira psiquiátrica Alma (Bibi Andersson), especialmente porque parece segura de si e só ela fala tomando o controlo das coisas. Mas face à sua enigmática doente, a famosa actriz Elizabet Vogler (Liv Ulman) a atitude estável de Alma começa a derrocar. As suas conversas terapêuticas transformam-se em confissões dos seus desejos e segredos. Gradualmente ela é despida da sua própria persona, máscara de mentiras e dá um significado à sua existência.
O clímax de A Máscara chega numa famosa cena onde as duas mulheres se sentam uma em frente uma à outra, ambas com idênticas roupas negras. Alma começa a falar da rejeição de Elizabet à maternidade e ao casamento, e depressa se vê a falar das suas próprias duvidas sobre a vida de família que ela desejava. Ao constatar isso, tenta retomar o controlo, mas só consegue produzir frases incoerentes. É nesta altura que Bergman usa o efeito óptico de fazer a fusão dos rostos das duas mulheres numa imagem perturbada.
O filme termina logicamente com Alma a fazer a única coisa que pode para recontruir a sua vida: regressa ao mundo comum e rejeita Elizabet como a outra. Na cena final voltamos ao hospital. Alma agora com o seu antigo uniforme e persona obrigando a Elizabet a repetir a palavra nada. De volta ao rapazinho na morgue (o filho indesejado de Elizabet? O feto abortado de Alma?). E então o projector pára. Escuridão.

