30/04/10
29/04/10
30 anos sem Hitchcock

Vários especialistas apontam os anos 50 e 60 como o período mais estimulante do cineasta, que, em 1956, atraído por Hollywood, se tornou cidadão americano. "Vertigo", "Psycho" e "Os Pássaros" são alguns dos filmes desta era. Na altura da sua morte, Hitchcock estava a planear um novo filme.
Hitchcock foi um dos grandes. E ponto final.
27/04/10
Paris,Texas. (1984)

A história trata de um homem que surge do nada, algures no deserto, e regressa à civilização. O filme percorre de carro toda a fronteira mexicana –americana- mais de 2500 quilómetros. A região onde acabam por filmar fica a sudoeste do Texas e chama-se Big Bend. Big Bend é uma zona protegida de lindíssimas montanhas. É uma paisagem abandonada. Não há viva alma. É um deserto. Aqui começa o filme com o nosso herói, Travis. Após ter sucumbido ao cansaço e à ausência de memória é recolhido pelo irmão. O primeiro lugar para onde viajam juntos é uma terreola minúscula com meia dúzia de casas. Há lá um hotel, onde Walt deixa o irmão para lhe ir comprar roupas novas. Quando Walt regressa, Travis já se escapuliu novamente...
Paris, Texas é um road-movie, que contrapõe as paisagens remotas do deserto de Mojave, a uma viagem particular ao nosso próprio interior, em busca de um passado perdido. É um grande filme, pela excelente realização, pela belíssima fotografia, pela música áspera de Ry Cooder, pelas interpretações soberbas de Harry Dean Stanton e de Nastassja Kinski.
26/04/10
Jazz n'Gaia 2010

25/04/10
23/04/10
Der Himmel Uber Berlin (Wings of Desire) (1987)

Não derrubou o muro que separou as duas Alemanhas, mas procurou uma linguagem comum ao mundo celestial e terrestre.
Temos Berlim no final da década, de uma humanidade desiludida que vagueia cinzenta pelas cicatrizes do Pósguerra.
Esta situação é-nos relatada do ponto de vista de dois anjos Cassiel e Damien visíveis apenas por crianças e incapazes de qualquer contacto físico com o mundo humano. A sua visão é, significativamente, a preto e branco.
Embora os anjos observem e escutem, muito escapa, contudo, à sua compreensão.
Eles não sabem, por exemplo, o que são as cores. Não as que conseguem sequer imaginar. Ou cheiros e sabores! E aquilo que as pessoas designam por sentimentos, os anjos pressentem-nos, mas não os podem experimentar. São profundamente afectuosos e bons, também não podem ser diferentes e, por isso, também não imaginam o contrário: o medo, por exemplo, ou o ciúme, ou a inveja, ou mesmo o ódio. Conhecem decerto, as formas de expressão, mas não os próprios sentimentos.
Tudo isto escapa aos anjos. Apenas percepcionam de modo talvez mais completo do que as pessoas. O mundo material e sensual está reservado às pessoas. É o privilégio da condição mortal.
Um dia um dos anjos teve uma ideia monstruosa: renunciar à existência de anjo em favor de uma vida humana!
O anjo que teve essa ideia terrível tinha sentido o desejo de se apaixonar por uma pessoa, por uma mulher, e a ideia de poder tocá-la esteve na origem de um resultado imprevisível.
Na segunda metade da história passam-se coisas inusitadas. De repente , há obstáculos: distâncias, regras e limites, entre eles um grande, o muro, que anteriormente nunca constituíra uma separação.
Trata-se de aprender a viver. A viver com o medo, um sentimento que até agora era desconhecido. Na eternidade não há medo, na presença da morte, aí está ele.
Mas , sobretudo, o que os anjos apreciavam e consideravam especialmente era uma capacidade que os homens tinham: o humor “ Quando apesar de tudo se ri”.
Quatro noites com Ana - 2008

O amor é um lugar estranho. Consegue mexer-se de formas muito misteriosas. Quatro noites com Ana é a mais excêntrica e original expressão de amor na sétima arte. Jerzy Skolimowski conta-nos uma insólita história de amor. De forma brilhante lança-nos numa perspectiva e baralha-nos com outra. A obsessão hipnotiza o espectador num filme que merece cinco estrelas por cada noite.
21/04/10
20/04/10
Discos da minha vida # 7

Talking Heads - "Fear of Music" (1979)
Um dos mais eclécticos agrupamentos da cena pop/rock, os Talking Heads marcaram o seu próprio espaço criativo através de arriscadas e arrojadas experimentações feitas em torno de diferentes sons modernos. Misturavam o punk, rock, pop, funk e no final da carreira, o world music.
O líder, guitarrista e vocalista David Byrne além do trabalho com o grupo, compôs para vários artistas. O seu envolvimento com a arte e o design também já é antigo. Os Talking Heads contaram com a colaboração de Brian Eno, que trabalhou em parceria com Roxy Music, David Bowie e Robert Fripp
Publicaram-se muitos elogios a esta banda, todos eles merecidos. Foram uma das bandas mais influentes durante o período que existiu, entre 1976 e 1991. Expandiram os limites do que se julgava ser possível, elevando a fasquia da qualidade das letras e composições.
David Byrne seguiu uma carreira a solo fracassada, mas o grupo até hoje é uma referencia de rock experimental, pop e criativo influenciando bandas actuais como Arcade Fire, The Killers, Clap Your Hands Say Yeah e, mais recentemente, artistas inspirados pelo worldbeat, como Vampire Weekend e Yeasayer.
18/04/10
The Legendary Tiger Man

The Legendary Tiger Man é o alterego de Paulo Furtado, multifacetado artista de Coimbra. Inspirado no velho formato de one-man-band Com uma estética muito particular – ao formato analógico tradicional (bombo, prato de choque, guitarra) juntam-se, sem pudor, soluções electrónicas. O resultado conhecido é explosivo.
Ao vivo, as prestações não permitem indiferença na assistência.
O Homem Tigre provou que é realmente lendário, ao conseguir encher, sozinho a Casa das Artes em Vila Nova de Famalicão. Um artista que enche, de facto, o espaço e o tempo. Um músico, um criador, um artesão como muito, muito poucos… um génio da música que em tudo consegue surpreender.
16/04/10
Crash - 1996
Cronenber chega a Crash a partir do livro de Ballard, que encena corpos e máquinas como criaturas e produtos tecnológicos .
Crash inscreve-se num mundo hipnótico à procura de uma nova existência.
Cronenberg inventa a existência humana. Os carros e os acidentes de viação são em Crash um meio usado para reduzir nos humanos um certo sonambolismo.
O transe de Crash é vanguardista, interior e declarado na definição obsessiva das personagens e na visualização dos seus movimentos, sobretudo interiores.
Quentin Tarantino
A tribute montage of the films directed by Quentin Tarantino: - Inglourious Basterds (2009) - Death Proof (2007) - Kill Bill: Vol. 2 (2004) - Kill Bill: Vol. 1 (2003) - Jackie Brown (1997) - Four Rooms (1995) (segment "The Man from Hollywood") - Pulp Fiction (1994) - Reservoir Dogs (1992)
13/04/10
Warpaint - Exquisite Corpse
No final do ano de 2009, para o seu EP "Exquisite Corpse", contaram com a participação de John Frusciante, antigo guitarrista dos Red Hot Chili Peppers.
Os Warpaint são Emily Kokal (voz, guitarras), Theresa Wayman (voz, guitarras), e Jenny Lee Lindberg (baixo, voz)e a baterista Stella Mozgawa.
Warpaint - "Elephants" (2009)
12/04/10
Laurie Anderson - Homeland
O novo álbum, tem data prevista a 15 de Junho.Para acomompanhar neste regresso, contará com a colaboraçãode gente como Antony Hegarty, Four Tet, John Zorn e Lou Reed.
Recordo "O Superman (For Massenet)" uma canção de 1981 de Laurie Anderson . Meio cantado, meio falado, quase minimalista, subiu para # 2 no UK Singles Charts , em 1981 .Antes do sucesso dessa canção, Anderson era pouco conhecida fora do mundo da arte.
11/04/10
10/04/10
Tetro

"Tetro" é um melodrama sobre uma família, bem arquitectado, um pouco previsível, mas intenso. Entrelaçando uma história de vidas com dança, teatro, música e escrita.
A base da história são as tensões freudianas, as emoções reprimidas, a prepotência na família.
É um filme com uma fotografia notável, profundamente teatral.
Tal como Michael Corleone em Godfather, aqui vemos uma personagem masculina que perdurará, o escritor Tetro, pelo carismático Vincent Gallo.
08/04/10
Mão Morta - Sob foco
Os Mão Morta puseram Braga no mapa musical nacional e fizeram dela algo mais do que uma cidade de arcebispos. Os 25 anos de carreira da banda são também 25 anos atentos à transformação de uma cidade, e a expor os podres da sociedade. Adolfo Luxúria Canibal fala da cidade que viu os Mão Morta nascer.
O que mudou em Braga nestes 25 anos de Mão Morta?
Houve muita coisa que mudou, pelo menos na aparência. Em 25 anos, os Mão Morta cresceram, Braga ficou no mesmo sítio. Braga cresceu muito em termos de população e construção. Tem um problema terrível que é o desordenamento urbanístico, que começa no centro. E depois uma pessoa sobe ao Bom Jesus, olha para a cidade e ela parece um grande vomitado. As casas são todas sem personalidade, sem charme, tudo uma mancha creme.
O que faz falta em Braga?
O que faz mais falta em Braga é mesmo a oferta cultural. É horrível, uma pessoa fazer uma vida casa-trabalho, pensar em sair à noite e não ter para onde ir. Não é por acaso que é uma cidade com pouca massa crítica. Não sei se estão aborrecidos pela religião ou pela falta de cultura...Para ser a tal terceira cidade do país que quer reivindicar precisava de outro tipo de incentivos culturais, e Braga não os tem.
E para ser a suposta Capital Europeia da Juventude...
Essa, acho-lhe muita piada. Agora que Braga já não é a capital mais jovem nem de Portugal, nem da Europa e numa altura em que Guimarães tem a Capital Europeia da Cultura, que devia ser orgulho para nós bracarenses, e podendo nós auferir dessa programação inerente à capital, a Câmara inventa uma Capital Europeia da Juventude. Em vez de aproveitar sinergias e criar públicos também em Braga, cria comcorrência.Fico pasmado com o provincianismo desta gente.
O que é que há então de bom em Braga?
Braga é uma cidade muito boa para morrer. Uma pessoa não fica com muitas saudades da vida, não é? Se bem que não tenha incineração, que é uma chatice...
Nem tinham onde deitar as conzas, ninguém quer ser deitado ao Rio Este...
O Rio Este nem peixes tem, e as cinzas iam ali acumular-se com o lixo. É bom estar em Braga para quem for mais velho, para uma pessoa que tenha Braga como ponto de refúgio e que se meta em casa, à lareira, a ouvir a chuva lá fora... Braga é uma cidade óptima, porque tem muita chuva. E que depois tenha dinheiro para viajar e voltar a Braga para ouvir mais um bocado de chuva.Fora isso, é uma cidade que deixa muitas angústias, muita vontade de sair. Não é por acaso que as pessoas saem da cidade, vão para qualquer lado menos Braga.Para Braga as pessoas vêm dormir porque é barato.
Adolfo Luxúria Canibal in "Time Out - Porto"
07/04/10
David Lynch - Ideias
"Uma ideia é um pensamento. É um pensamento que contém mais do que se pensa que contém quando se o recebe. Mas, naquele primeiro momento, dá-se uma faísca. Numa banda desenhada, se alguém tem um ideia, acende-se uma lâmpada. Acontece num instante, tal como na vida.
Seria óptimo se o filme inteiro viesse todo de uma só vez. mas vem, para mim, em fragmentos. Aquele primeiro fragmento é como a Pedra de Roseta. É a peça do puzzle que indica o resto. É uma peça de puzzle esperançosa.
Em Veludo azul, foi lábios vermelhos, relvados verdes e a canção - a versão de Blue Velvet, de Bobby Vinton. A coisa seguinte foi uma orelha caída num campo. E foi tudo.
Uma pessoa apaixona-se pela primeira ideia, por aquele pedacinho minúsculo. E, depois de a ter, o resto há-de vir com o tempo."
David Lynch, in "Em Busca do Grande Peixe" (Estrela Polar, 2008)
06/04/10
05/04/10
O destino turístico-Rui Zink
É agradável descobrir um livro que nos apega, que queremos ler sempre mais um bocadinho, que não queremos parar de ler. É o que me está a acontecer com “O destino turístico” de Rui Zink.Este conto sobre Greg, ou Guereg, como queiram, que pretende morrer mas que não tem coragem para se suicidar, vive de uma ideia criativa que inicialmente nos reporta para paragens longíquas, levados por uma realidade estranha do espaço da acção que se assemelha mais a paragens no médio oriente, mas que aos poucos nos faz suspeitar que esta "zona" onde decorre a narrativa afinal não é assim tão longe.
"Greg atravessou o pátio e teve o segundo não-déjá vu do dia. Por uma razão qualquer, quase tinha a certeza de que ia encontrar a jornalista e o câmara à beira da piscina. (...) E lá não-estava ela, exactamente na mesma posição em que no dia anterior. (...)Um não-déjá vu era, de certo modo, simultaneamente o oposto e o dobro de um déjá vu. Este, o produto original, consistia na sensação estranha de voltar a ver uma cena tal & qual nos recordávamos de a ter vivido. Tendo isto em conta, a não-repetição da cena era, simplesmente, a não-repetição da cena. Um não-acontecimento. E um não-acontecimento era, por definição... enfim, um não acontecimento. Algo que não acontecera. Fumo. Fumo de nada. Nada. Só que, por outro lado, o facto de uma pessoa esperar um déjá vu não faria, desde logo, com que isso fosse (até certo ponto) um déjá vu?"
04/04/10
Andrei Tarkovsky
03/04/10
Musicando...
Tom Waits, Chocolate Jesus - "Mule Variations" (1999)
PJ Harvey, Send His Love To Me - "To Bring You My Love" (1995)
U2, Wake Up Dead Man - "Pop" (1997)
Depeche Mode, Personal Jesus - (1989)
02/04/10
Shutter Island

Martin Scorsese consegue definitivamente com mestria prender os olhos dos apaixonados pelo cinema com o seu mais recente lançamento que se trata de uma adaptação do "best seller" de Dennis Lehane (2003), autor de "Mystic River".
Leonardo Di Caprio, depois de ter ganho mais uns quilos, cada vez nos surpreende mais com as suas actuações. É incrível a capacidade que ele tem para imprimir força e realidade à personagem em questão.
Durante semanas li críticas e sonhei em ver o filme. Receei ficar decepcionada, é um filme polémico, ora ditam genialidade ora fracasso.

Tudo ocorre em 1954, quando Teddy(Leonardo Di Caprio), um oficial da polícia, e seu companheiro Chuck (Mark Ruffalo) são chamados para investigar um suposto desaparecimento de uma paciente na ilha para onde são levados.O que mais intriga Teddy é como a paciente poderia ter escapado.É nessa busca incansável que acaba descobrindo a verdadeira razão de ter sido chamado para ilha.

A dramaticidade e a escuridão das cenas dão um toque de terror e suspense que faz o espectador ficar imóvel na cadeira, sem piscar, à espera da cena seguinte.
Shutter Island é absorvente e perturbante com todo o clima de loucura contagiante em que o protagonista é apanhado, onde nada é certo.

Tal como em Taxi Driver (1976) a personagem é intrigante e misteriosa. Enquanto Travis Bickle (Robert De Niro) representa o papel de um ex-veterano de guerra lutando contra a sua própria mente. Teddy, em Shutter Island, passa muito tempo à procura de uma resposta que todos já sabem, mas que ele se recusa a ver.
Gastão Vida de Cão
Que morava com cinco




