23/04/10

Der Himmel Uber Berlin (Wings of Desire) (1987)



Wim Wenders realizou em 1987 um dos filmes mais poéticos da década de 80.
Não derrubou o muro que separou as duas Alemanhas, mas procurou uma linguagem comum ao mundo celestial e terrestre.
Temos Berlim no final da década, de uma humanidade desiludida que vagueia cinzenta pelas cicatrizes do Pósguerra.
Esta situação é-nos relatada do ponto de vista de dois anjos Cassiel e Damien visíveis apenas por crianças e incapazes de qualquer contacto físico com o mundo humano. A sua visão é, significativamente, a preto e branco.
Embora os anjos observem e escutem, muito escapa, contudo, à sua compreensão.
Eles não sabem, por exemplo, o que são as cores. Não as que conseguem sequer imaginar. Ou cheiros e sabores! E aquilo que as pessoas designam por sentimentos, os anjos pressentem-nos, mas não os podem experimentar. São profundamente afectuosos e bons, também não podem ser diferentes e, por isso, também não imaginam o contrário: o medo, por exemplo, ou o ciúme, ou a inveja, ou mesmo o ódio. Conhecem decerto, as formas de expressão, mas não os próprios sentimentos.
Tudo isto escapa aos anjos. Apenas percepcionam de modo talvez mais completo do que as pessoas. O mundo material e sensual está reservado às pessoas. É o privilégio da condição mortal.
Um dia um dos anjos teve uma ideia monstruosa: renunciar à existência de anjo em favor de uma vida humana!
O anjo que teve essa ideia terrível tinha sentido o desejo de se apaixonar por uma pessoa, por uma mulher, e a ideia de poder tocá-la esteve na origem de um resultado imprevisível.
Na segunda metade da história passam-se coisas inusitadas. De repente , há obstáculos: distâncias, regras e limites, entre eles um grande, o muro, que anteriormente nunca constituíra uma separação.
Trata-se de aprender a viver. A viver com o medo, um sentimento que até agora era desconhecido. Na eternidade não há medo, na presença da morte, aí está ele.
Mas , sobretudo, o que os anjos apreciavam e consideravam especialmente era uma capacidade que os homens tinham: o humor “ Quando apesar de tudo se ri”.

4 comentários:

  1. Sem dúvida um grande filme, um dos melhores de Wenders e com uma grande banda sonora. ;)

    BJ

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  2. Esse tá na minha lista há tanto tempo...preciso dar um jeito nisso e vê-lo logo..

    bjs

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  3. Quero mesmo muito ver... suspeito que vá adorar.

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  4. Spark: Só vi dois filmes de Wenders mas chegaram-me para o considerar um dos meus realizadores favoritos.Quanto à banda sonora é excelente. Gosto especialmente da parte em que os anjos assistem a um concerto de Nick Cave & The Bad Seeds. Um concerto em que Cave canta uma das suas melhores canções de sempre: "From Her to Eternity".
    Rafael:Considero-o um filme imprescindível.
    Flávio: Tenho a certeza que sim!

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