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03/06/10

A Naifa - Esta depressão que me anima


Não se trata de uma biografia, mas de um álbum, graficamente bem trabalhado, com fotografias da banda e depoimentos de amigos e admiradores anónimos. Inclui um DVD, com um espectáculo gravado ao vivo, telediscos e um documentário.
Não é a primeira vez escrevo aqui sobre A Naifa. Porque vale a pena, vale a pena ouvir com ouvidos de escutar.
Descobriram um caminho para de forma consistente, criar um fado contemporâneo. Nos dois primeiros discos, Canções Subterrâneas(2004) e 3 Minutos Antes de a Maré Encher(2006),tiveram o bom gosto de temperar as músicas com nova poesia portuguesa, de Adília Lopes, José Luís Peixoto, José Mário Silva, Tiago Gomes, entre outros. Tornaram-se numa das poucas bandas de culto em Portugal.
Há pouco mais de um ano morreu, estupidamente cedo, aos 39 anos, um dos seus mentores, João Aguardela, que foi uma figura única na busca incessante de uma nova tradição musical, também com os Sitiados e o Projecto Megafone. Os outros elementos do grupo, Luís Varatojo, Mito ficaram sós. Ainda bem que Luís Varatojo se debateu por fixar em livro a existência do grupo.
O livro-DVD "Esta depressão que me anima" é um registo que conta com a colaboração de poetas, amigos e anónimos, que agora terão a oportunidade de ver as suas palavras publicadas, nesta edição de autor de apenas 500 exemplares.


06/03/10

A Naifa

A Naifa é um projecto musical português nascido em 2004, que conjuga as linguagens clássicas do fado com aquilo que podemos latamente chamar de pop (num sentido não depreciativo).

Com o fado como ponto de partida vão ultrapassar todos os canônes da arte da saudade (não fossem alguns dos membros formados na escola do punk) e criar uma nova linguagem com a inclusão da percursão, do baixo eléctrico e dos sintetizadores.

As canções são criadas a partir de poemas de autores portugueses como Adília Lopes, José Mário Silva e José Luís Peixoto, interpretados na voz poderosa de Maria Mendes, que sem nunca nos esquecermos de nomes como Amália Rodrigues e Dulce Pontes nos enlevam no sentimento de um fado moderno.

O baixo e a bateria dão-nos uma secção rítmica que acompanha na perfeição o dedilhar da guitarra portuguesa, que se por vezes nos faz lembrar Carlos Paredes, também vai beber muito aos blues e ao rock, com "riffs" e "grooves" orelhudos.