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28/11/10

Requiem For a Dream


“Requiem For a Dream” é um filme que não deixa ninguém indiferente. É uma obra sobre a realidade nua e crua do vício, heroína, medicamentos e TV. Um filme extremamente pesado e duro, um verdadeiro murro no estômago. Confesso que nos últimos minutos tive dificuldades em ver o filme até ao fim.
É um filme sobre a conquista de um mundo ideal e dos seus sonhos a todo o custo, da escolha de atalhos e caminhos que levam lentamente à destruição física e psicológica das personagens. Uma viagem ao lado mais cruel e obscuro da natureza humana.
Por um lado Sara (Ellen Burstyn), uma solitária, já com uma certa idade, ingénua e típica dona de casa, que vê uma luz ao fundo do túnel da sua vida, com a possibilidade de aparecer na televisão. Faz tudo para emagrecer, transforma-se numa viciada em comprimidos, levando-a à loucura. Harry (Jared Leto), o filho de Sara, pretende comprar uma loja de roupas para a sua namorada , Marion (Jennifer Conelly) e tornar-se num homem respeitável. Por sua vez o casal, mais um amigo Tyrone, entram no tráfico de droga. Em comum têm um percurso de auto-destruição, onde todos os sonhos se desvanecem e nada mais resta para além do vício.
Darren Aronofsky realiza uma obra soberba a todos os níveis. De destacar a banda sonora de Clint Mansell, a fotografia de Matthew Libatique e a arrebatadora realização, com planos e ângulos com um ritmo completamente alucinante que nos transmite realmente a agonia e inquietação das personagens. Aronofsky utiliza todas as técnicas para nos afastar da realidade.
A nível de representação, todo o elenco revela sólidas prestações, contudo destaco Ellen Burstyn que tem aqui um dos melhores registos que alguma vez vi por parte de um actor.
Aronofsky leva-nos ao limite das nossas sensações, fazendo-nos vivenciar a angústia e o sofrimento através de cada personagem. Chegamos ao final do filme completamente atónitos. Um filme que apela aos sentidos, mas também à reflexão. Obrigatório.