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06/07/10

Un Chien Andalou (1928)


A estreia de Luís Buñuel na realização feita em parceria com o pintor Salvador Dali, está gravada na história do cinema, por muitos motivos, mas acima de tudo devido à imagem que nos ocorre quando nos lembramos do filme: a de uma uma lâmina que corta um olho ao meio. Muito se especula sobre o significado desta imagem emblemática. Para uns é uma táctica de choque, para outros um símbolo da visão modernista, para outros um exemplo da violência masculina sobre as mulheres, e ainda para outros, um anúncio de um nova visão da realidade. Uma coisa é certa, a imagem, bem como todo o filme, possui um forte carácter onírico com claras influências da psicanálise, Buñuel e Dali exploram o inconsciente humano. Un Chien Andalou tem sido reduzido demasiadas vezes a uma sequência de imagens impressionantes, que para muitos poderá parecer desconexa e incongruente: um cavalo morto sobre um piano ou formigas a sair de uma mão. É esquecido deste modo o que dá à obra coerência, uma narrativa que faça sentido, por entre os fragmentos do inconsciente do espectador. A realidade que interessa aos surrealistas. Até ao fim da sua carreira, Buñuel nunca deixou de explorar esta dialéctica entre a racionalidade e as forças profundas do id.

02/05/10

L´Age d´Or (1930)


Não é de espantar que o filme tenha despertado emoções contraditórias e uma controvérsia entre os surrealistas e organizações de extrema direita, as quais realizaram manifestações, que deram origem por exemplo a estragos em salas de cinema, à proibição da exibição da película por parte da polícia, a polémicas críticas e políticas violentas. É famosa a intervenção de Henry Miller que, sobre o filme e o seu realizador, disse: “ Ou somos feitos como o resto da humanidade civilizada, ou somos orgulhosos e íntegros como Buñuel. Se formos orgulhosos e íntegros, seremos então também anarquistas e atiraremos bombas.”
A Idade do Ouro legou-nos algumas das imagens mais inesquecíveis do cinema: os bispos mumificados; a vaca em cima de uma cama, numa mansão elegante da alta burguesia;Lya Lys a chupar o dedo do pé de uma estátua.
Buñuel põe em causa todo o poder exercido pela religião, pela família, pela política e pela sociedade em geral.Cria imagens surrealistas que visam libertar o homem das amarras impostas pelo moralismo da sociedade e suas instituições.
Este foi o segundo filme de Buñuel, o primeiro sonoro. Dois anos antes, com Um Cão Andaluz, Buñuel fizera uma curta experimental fruto de dois sonhos que ele e Dali tiveram e que se viria a tornar num filme-manifesto do surrealismo.
A Idade do Ouro é uma película que existe fora do tempo e cujo poder de perturbar e chocar não se desgasta com o passar dos séculos.