
A estreia de Luís Buñuel na realização feita em parceria com o pintor Salvador Dali, está gravada na história do cinema, por muitos motivos, mas acima de tudo devido à imagem que nos ocorre quando nos lembramos do filme: a de uma uma lâmina que corta um olho ao meio. Muito se especula sobre o significado desta imagem emblemática. Para uns é uma táctica de choque, para outros um símbolo da visão modernista, para outros um exemplo da violência masculina sobre as mulheres, e ainda para outros, um anúncio de um nova visão da realidade. Uma coisa é certa, a imagem, bem como todo o filme, possui um forte carácter onírico com claras influências da psicanálise, Buñuel e Dali exploram o inconsciente humano. Un Chien Andalou tem sido reduzido demasiadas vezes a uma sequência de imagens impressionantes, que para muitos poderá parecer desconexa e incongruente: um cavalo morto sobre um piano ou formigas a sair de uma mão. É esquecido deste modo o que dá à obra coerência, uma narrativa que faça sentido, por entre os fragmentos do inconsciente do espectador. A realidade que interessa aos surrealistas. Até ao fim da sua carreira, Buñuel nunca deixou de explorar esta dialéctica entre a racionalidade e as forças profundas do id.


