Chegou a minha vez de ir de férias! Vou fazer um pequeno interregno no La Dolce Vita. Vou passar o fim de semana com os meus amigos, por aqui e depois vou apanhar um pouco de sol, que estou mesmo a precisar. Até já!
"Chikamatsu Monogatari" (Os amantes crucificados), evidencia a sociedade feudal do Japão, numa época de repressão, em pleno século XVII, fixada por hierarquias de deveres e direitos. Um homem e uma mulher, de classes sociais desiguais, são injustamente perseguidos. Num país regido por leis desumanas e opressivas, a fuga torna-se na única saída possível. Uma história trágica em que Mizoguchi, mais uma vez, cruza o amor e a morte como elementos de destaque da narrativa. Nada mais lhes resta senão a morte, como o título deixa adivinhar, surgindo como forma de libertação, quiça para a eternidade. A história é desenvolvida com grande intensidade, tanto nos momentos de felicidade como nos de infelicidade dos protagonistas. Mizoguchi, mais uma vez denuncia o abuso do poder e a ambição desenfreada do homem, elevando o que há de mais puro em matéria de afectos e sentimentos. Extraordinária a fotografia a preto e branco, com destaque para as cenas nocturnas, a do barco por exemplo. É mais um dos grandes filmes de Mizoguchi.
No Japão medieval um governador é enviado para o exílio pelas suas ideias humanitárias. A esposa e os filhos tentam juntar-se a ele, mas pelo caminho são enganados e separados. As crianças, Zushio e a irmã Anju, são vendidas como escravos e crescem num meio de sofrimento e opressão, por causa da escravatura imposta pelo Intendente Sansho. A mudança de vida e as duras condições de vida a que são expostos faz com que tomem uma decisão drástica que vai mudar por completo o curso das suas vidas. Mizoguchi, concentra a acção do filme na descida ao abismo de uma família de ascendência nobre, que tem sempre como referência e na memória os ideais preconizadas pelo chefe de família. Mizoguchi num apelo claro à liberdade e a valores como a solidariedade e fraternidade, contra a exploração do homem pelo homem, dando voz aos oprimidos. Mais uma vez, Mizoguchi reflete também a sua sensibilidade, numa arte elevada, fixando o seu olhar sobre a mulher, desta vez representando o amor, o altruísmo e o sacrifício, até à exaustão de uma mãe e uma irmã. A história é reforçada por uma encenação e fotografia magníficas. Uma obra prima que dá lugar a larga reflexão.
Restless foi o filme de Gus Van Sant exibido no Festival de Cannes, na abertura da secção Un Certain Regard, com Henry Hopper, filho do falecido ator Dennis e Mia Wasikowska. Uma história de amor entre uma rapariga em fase terminal de cancro e um rapaz que sofre com a morte dos pais.Dois adolescentes que partilham a mesma preocupação com a mortalidade. Gus Van Sant de regresso com temas recorrentes na sua filmografia, sentimentos e angustias da juventude e a morte. Gerry, Elefante, Last Days e Paranoid Park compõem uma seleção de filmes que abordam a morte,cada qual com uma abordagem distinta.
Os Interpol escreveram ao Huffpost Culture, que podem ler aqui , sobre a animação de Lynch "I Touch a Red Button Man", para o vídeo do tema "Lights" e sobre a parceria da banda neste projeto.O single sairá a 3 de Setembro.
Jorge Lima Barreto, referência de vanguarda em Portugal, experimentador, músico e musicólogo, faleceu no sábado, aos 61 anos. Compôs música para as mais diversas áreas: poesia, teatro e cinema e também realizou programas de rádio. Fundou a AnarBand, a Associação Música Conceptual e os Telectu, onde viria a desenvolver um projeto combinando jazz mais livre, música eletrónica, concreta e minimalista. Colaborou em dueto com Carlos Zingaro e com Jonas Runa. Dedicou toda a sua vida ao mundo da música. Editou dezenas de discos e deixou uma extensa obra literária sobre musicologia. Tocou e gravou com grandes músicos internacionais de jazz como Chris Cutler, Elliot Sharp, Saheb Sarbib, Louis Sclavis ou Jac Berrocal. Jorge Lima Barreto foi pioneiro até ao fim. Criou o seu próprio estilo, norteando sempre a sua actividade pela procura de novas sonoridades. Uma figura ímpar no panorama musical português.
Para os interessados, podem ler aqui mais detalhadamente, o riquíssimo percurso de Jorge Lima Barreto.
A Canticle for Leibowitz de Jorge Lima Barreto/Saheb Sarbib, retirado do álbum Encounters (1979)
Solstice II de Jorge Lima Barreto, retirado do álbum Neo Neon (2003).
A Dangerous Method é o último filme realizado por David Cronenberg, baseado na peça de teatro The Talking Cure de Christopher Hampton. A história passa-se no início do século XX e acompanha a relação entre Sigmund Freud e Carl Jung, os pais da psicanálise, e Sabina Spielrein, conhecida como a sua primeira paciente. Ainda não há data definida para a estreia em Portugal.
Inspirado em dois contos de Akinari Ueda (1734/1809), Ugetsu Monogatari é talvez o filme mais célebre do mestre Kenji Mizoguchi. A história passa-se em 1583 durante a guerra civil japonesa, quando dois camponeses se perdem pelos caminhos da ambição sem limites, um para ser rico o outro para ser guerreiro. Ugetsu Monogatari /Os Contos da Lua Vaga exploram as bifurcações mais obscuras da existência humana, entre o real e o imaginário. A essência do filme reside no entrelaçamento da realidade com o sobrenatural. Mizoguchi conduz-nos de uma dimensão à outra de uma forma surpreendente. O estilo que domina é de enquadramentos repletos de takes longos e suaves movimentos de câmara, evitando delicadamente a necessidade de cortes. Mizoguchi faz um retrato humanista da brutalidade no Japão feudal e demonstra um interesse particular, pela sabedoria e pelo sofrimento das mulheres que se vão atravessando ao longo da história. Ugetsu representa as mulheres como vítimas, elas são abandonadas, apesar dos sacrifícios, devido à ambição desmesurada e ao egocentrismo dos homens. Ou ainda Lady Wakasa, como femme fatale, sedutora /fantasma, por quem Genjuro, o oleiro, numa atmosfera de luxuria, fica cego, esquecendo tudo para trás. É quase um filme pró-feminista fora do tempo. Filme de rara beleza visual.Um clássico intemporal. Obra prima! Ugetsu alcançou o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1953 e a Medalha de Ouro do Festival de Edimburgo, em 1955.
O desassossego captado em palavras e imagens, com pinceladas de cor e jogos de luz e sombra ao fundo.Extratos de um livro de exceção, recriado por João Botelho em ideias e momentos de grande inquietação.
Em memória de Jim Morrison, Père-Lachaise voltou a ser o local escolhido para recordar o “Rei Lagarto”, demarcando 40 anos de ausência de um dos maiores músicos e compositores de sempre. Eu também já cumpri profecia por lá. Para recordar, aqui fica uma das minhas músicas preferidas dos Doors:”Riders On The Storm”. Faixa que encerra o lado B, do sexto e último álbum de estúdio da banda: L.A. Woman de 1971. Foi o último disco gravado com a formação original da banda, antes de Jim Morrison morrer.