09/07/11

Ugetsu Monogatari - Kenji Mizoguchi (1953)


























Inspirado em dois contos de Akinari Ueda (1734/1809), Ugetsu Monogatari é talvez o filme mais célebre do mestre Kenji Mizoguchi. A história passa-se em 1583 durante a guerra civil japonesa, quando dois camponeses se perdem pelos caminhos da ambição sem limites, um para ser rico o outro para ser guerreiro. Ugetsu Monogatari /Os Contos da Lua Vaga exploram as bifurcações mais obscuras da existência humana, entre o real e o imaginário. A essência do filme reside no entrelaçamento da realidade com o sobrenatural. Mizoguchi conduz-nos de uma dimensão à outra de uma forma surpreendente. O estilo que domina é de enquadramentos repletos de takes longos e suaves movimentos de câmara, evitando delicadamente a necessidade de cortes. Mizoguchi faz um retrato humanista da brutalidade no Japão feudal e demonstra um interesse particular, pela sabedoria e pelo sofrimento das mulheres que se vão atravessando ao longo da história. Ugetsu representa as mulheres como vítimas, elas são abandonadas, apesar dos sacrifícios, devido à ambição desmesurada e ao egocentrismo dos homens. Ou ainda Lady Wakasa, como femme fatale, sedutora /fantasma, por quem Genjuro, o oleiro, numa atmosfera de luxuria, fica cego, esquecendo tudo para trás. É quase um filme pró-feminista fora do tempo. Filme de rara beleza visual.Um clássico intemporal. Obra prima! Ugetsu alcançou o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1953 e a Medalha de Ouro do Festival de Edimburgo, em 1955.

4 comentários:

  1. Indiscutivelmente, um grande pedaço de cinema. Também o vi recentemente, com lançamento do DVD, e revejo-me nas tuas considerações.

    Também escrevi a crítica recentemente: http://cineroad.blogspot.com/2011/06/os-contos-da-lua-vaga-1953.html

    Roberto Simões
    CINEROAD

    ResponderEliminar
  2. Roberto, é realmente um filme extraordinário. Já andava na agenda há muito tempo, mas só agora surgiu a oportunidade. De certo modo, também um pouco a propósito do lançamento do DVD. Li uma notícia, julgo que a semana passada no Expresso,referindo-se apenas à edição de Amantes Crucificados e Lágrimas Amargas de Petra Von Kant. Como relativamente ao último já o tinha, numa colecção do Fassbinder, fiquei toda animada pelo primeiro.Só depois,aqui na net, descobri que afinal também Os contos da Lua Vaga tinham sido editados. Enfim, só boas botícias.

    ResponderEliminar
  3. Parece que, felizmente, o culto de Mizoguchi está para durar: http://adignidadedadiferenca.blogs.sapo.pt/124742.html

    ResponderEliminar
  4. Pois Rui, foi mesmo no teu blog que tomei conhecimento. Quanto ao culto de Mizoguchi, só ontem me iniciei. Com a divulgaçao dou o meu pequeno contributo para ele.

    ResponderEliminar