26/07/11

Chikamatsu Monogatari (1954) Kenji Mizoguchi

"Chikamatsu Monogatari" (Os amantes crucificados), evidencia a sociedade feudal do Japão, numa época de repressão, em pleno século XVII, fixada por hierarquias de deveres e direitos. Um homem e uma mulher, de classes sociais desiguais, são injustamente perseguidos. Num país regido por leis desumanas e opressivas, a fuga torna-se na única saída possível. Uma história trágica em que Mizoguchi, mais uma vez, cruza o amor e a morte como elementos de destaque da narrativa. Nada mais lhes resta senão a morte, como o título deixa adivinhar, surgindo como forma de libertação, quiça para a eternidade. A história é desenvolvida com grande intensidade, tanto nos momentos de felicidade como nos de infelicidade dos protagonistas. Mizoguchi, mais uma vez denuncia o abuso do poder e a ambição desenfreada do homem, elevando o que há de mais puro em matéria de afectos e sentimentos. Extraordinária a fotografia a preto e branco, com destaque para as cenas nocturnas, a do barco por exemplo. É mais um dos grandes filmes de Mizoguchi.

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