
O mais controverso filme de Stanley Kubrik, um crítica social feroz em forma de ficção cientifica realizada em 1971. Foi retirada pelo próprio autor de circulação do Reino Unido durante cerca de 30 anos. É uma transposição do romance opressivo de Anthony Burgess para o cinema.
Delinquente mas esperto, Alex De Large (Macolm McDowell) excita-se com pornografia, Beethoven e diverte-se a liderar o seu bando “Droogs”, vestido de chapéu de coco e de branco, tem rasgos de forte violência durante as quais fala uma linguagem muito especial. Após os seus actos violentos vemos a sua punição e a sua “reabilitação” sob a forma de um cobarde e lambe botas, que acaba por ser tão assustadora como as malvadezas dos Droogs. Torna-se uma sátira acérrima à hipocrisia, corrupção e sadismo da sociedade em geral. Procurando sair da prisão Alex oferece-se para uma terapia experimental , sendo sujeito a uma cura de comportamento. Amarrado com correias e os globos oculares totalmente expostos, procura-se suprimir as suas tendências violentas, mas por outro lado fica privado de toda a sua humanidade, torna-se um indivíduo fragilizado. De regresso ao mundo, é atraiçoado pelos seus colegas, que se tornaram polícias, passa a sofrer com aqueles que antes eram as vítimas.
Esta é uma obra única que tanto nos faz sentir repulsa como nos faz sentir carinho por Alex . Consegue encarnar todos os males da sociedade de diversas formas. Estão lá todas as pulsões mais reprimidas dos nossos intintos. É um ser que nunca tem consciência do bem e do mal, está para além da moral. Diverte-se à custa do sofrimento alheio. É um demónio.
"A Laranja Mecânica" é uma obra de extremos, bela e repugnante, cómica e trágica, um filme único.
A crítica de Kubrick, mordaz não poupa instituições como a Igreja, o Estado, o Exército ou a Polícia.
Kubrick é um dos poucos realizadores marxistas. Nunca precisou de assinar manifestos ou de marchar em protestos para assumir a sua ideologia que aparece de forma subtil na sua filmografia. Os seus heróis lutam, igualmente, contra as várias máquinas que a sociedade coloca nos seus caminhos, sejam elas a máquina política, a máquina militar, a máquina religiosa, ou mesmo a máquina capitalista. Ao mesmo tempo, a sexualidade, a libertação máxima do ser humano, e por isso mesmo tão reprimida pela Igreja e pelo Estado, surge nos filmes de Kubrick livre de preconceitos, onde Eyes Wide Shut é o exemplo perfeito.
O olho e o olhar, o sexo e a violência, o papel do Estado e a maneira pouco democrática como este actua sobre os cidadãos, o gozo com a polícia, todas estas premissas atravessam Laranja Mecânica e obrigam-nos a pensar e a meditar.


O rejeitar os mecanismos da sociedade que condicionam a liberdade do individuo não faz de Kubrick, nem de ninguém, marxista. Não acredito muito nisso.
ResponderEliminarQuanto ao filme, é intemporal sob qualquer ponto de vista e não cansa nunca. E é especial para mim também porque foi o meu primeiro de Kubrick.
Excelente crítica del genial Stanley Kubrick en una de sus impactantes y escandalizadoras películas (escandalizadoras por su impacto social) adaptando la novela de Anthony Burguess.
ResponderEliminarEspléndida actuación de Malcom MacDowell y notable tambien la estética del film que refleja una época de cambios culturales y desdibujamiento de barreras sociales, sexuales y cultural-religiosas.
Film de temática sociológica (el "orange" del título, original del libro de Burguess, no es una palabra inglesa y debería haberse traducido como "La persona mecánica" y no "La naranja mecánica" como se la ha titulado en España) en la que habla de la influencia de los habitos de comportamiento sobre los patrones de interpretación de cualquier hecho experimentado (lo que puede deformar tu perspectiva a experiencias como la "9ª" de Beethoven o el "Singin' in the rain").
Los diferentes elementos culturales (tv, cine, música, literatura, internet...)no crean patologías sino que canalizan una desviación existente.
Paradógicamente la misma película demostró su propia teoria ya que desafortunadamente "ocasionó" diferentes incidentes. Decenas de noticias sobre violaciones, agresiones, etc. se sucedieron a su estreno imitando las secuencias del film reflejandose la subjetividad de las interpretaciones (pudiendo ser vista como crítica o amparo de la violencia).
La reflexion final que yo extraigo es que hay que trabajar en la educación emocional de los jóvenes mediando entre la moralidad ética del civismo y la impulsividad expresiva sin que ninguna de las dos predomine.
É dos meus filmes preferidos de sempre. Absolutamente de acordo contigo e ali com o Carlos :)
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarPenso que Kubrick realizou uma obra carregada de interpretações políticas, sociológicas, filosóficas e acima de tudo interpretações psicológicas devido ao seu grande símbolismo.
E nunca poupou críticas, com um sentido de humor extremo, sarcástico e irónico às grande instituições como a Igreja, Estado Exército ou a Polícia.
Mas para lá de toda esta crítica, os seus filmes proporcionam múltiplas análises e interpretações. E nessa consiste uma das suas grandes riquezas.
Alberto, essa tua reflexão final parece-me bastante plausível.Agora,desconhecia por completo esses incidentes a que te referes.
Flávio,este é também um dos meus filmes preferidos.
Um filme genial sob todos os pontos de vista.
ResponderEliminarUm Grande filme!
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