







Tal como a figura de Charlie Chaplin ficou para sempre na nossa memória através de símbolos peculiares como o chapéu, a bengala ou o bigode, não sendo tão conhecido, é certo, mas com um chapéu, uma gabardine e um cachimbo associamos logo a Tati, não ao realizador/actor mas à personagem. A caracterização desta típica personagem iniciou-se no filme “As Férias do Sr.Hulot” e continuou com Mon Oncle.
A associação a Chaplin não se fica só pela caracterização, mas também pela crítica política e social com um sentido de humor mordaz que Tati confere aos seus filmes. Chaplin criticou a industrialização, Tati exerce uma crítica acérrima à modernização e à sociedade do consumo.
Temos dois mundos distintos e o seu contraste. Se num lado temos o espaço organizado, moderno, na periferia da cidade, noutro vemos um amontoado de casas humildes, velhas e cheias de falta de privacidade.
Mon Oncle caracteriza através da família “Arpel” o quotidiano dos inícios do século XX. Uma família que vive numa vivenda que mais parece retirada de um catálogo, em que tudo é automático e pretensiosamente moderno, tornando-se obviamente ridículo. O funcionamento e utilidade dos objectos não estão de acordo com as necessidades do Homem, mas com uma necessidade clara de ostentação. Contudo tudo parece perfeito e cuidado ao mínimo detalhe. Já onde vive o Sr. Hulot torna-se evidente, a proximidade, o calor humano entre as pessoas que se cruzam na rua ou na feira todos os dias.
E é o filho, Gerard que exerce a ponte entre estes dois mundos. Ao sair do seu mundo imaculado, e saindo com o seu tio Sr.Hulot , a criança descobre os prazeres simples da vida na rua tornando-se igual a todas as outras.
Torna-se evidente o propósito de Tati em mostrar como as relações humanas podem ser prejudicadas pela intervenção tecnológica.
Mon Oncle é um filme que não podia ser mais actual. Uma obra sublime.


Um filme do tamanho do mundo. Magistral.
ResponderEliminarCumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «
O meu preferido do Tati. Génio puro.
ResponderEliminarRoberto, sem dúvida, um clássico!
ResponderEliminarVictor,concordo contigo, do pouco que vi também prefiro este.Tati tem um humor muito peculiar e mais actual que nunca.
vi_o o ano passado pela primeira vez
ResponderEliminarè extraordinario
Luís, acredito realmente que tivesses apreciado, também por ter a ver com a tua vertente criativa e de humor que transparece no teu blog.
ResponderEliminarbjs
Intemporal, fabuloso. O meu favorito de Tati, também. Excelente texto ;)
ResponderEliminarBelíssimo!
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