12/06/11

Der Siebente Kontinent (1989)


O Sétimo Continente é muito mais do que uma simples história de uma família de classe média, explora a degradação de uma sociedade dos nossos tempos, a falta de comunicabilidade. No início, o filme decorre sem mostrar rostos, não são as personagens em questão que contam, pode ser qualquer um, somos todos nós. A mãe prepara o pequeno-almoço, o pai aperta os atacadores, a filha reza. Nada nos indica, ao longo do filme que haja algo de errado, todos os rituais diários são levados a cabo de forma exímia, em busca da pefeição, mas com um sentimento de peso, de monotonia e desapego à realidade circundante. O momento simbólico, em que a filha supostamente declara a cegueira é significativo e óbvio da sua necessidade de afecto e atenção. Quando a mãe toma conhecimento do episódio da escola e replica de forma violenta, torna-se francamente sintomático da sua incapacidade e vontade de mudança. E se por um lado, tudo leva a crer que aquela família projecta um futuro auspicioso, uma viagem para a Austrália, tudo não passa afinal, de um escape, uma fuga existencial. O prazer na destruição de todos os bens, roupas, móveis, dinheiro, livros, discos, aquário, reflecte a quebra com o passado, a saída do tédio, o desepero, a culminar no suicídio. Um drama humano, longe de ser agradável, que serve de reflexão e jamais nos deixa indiferentes. Um filme niilista, onde tudo é posto em causa, o sentido da vida, os valores tradicionais que nos regem, os critérios absolutos. Filme escrito e realizado por Michael Haneke, a sua primeira longa-metragem, que se inspirou numa história verídica de uma família austríaca.

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