08/05/11

Badlands (1973)










Terrence Malick, artista alheio a convenções e a comercialismos da indústria do cinema, é um génio raro do cinema norte americano. Com 40 anos de carreira realizou apenas cinco filmes, todos eles altamente considerados. Badlands foi a sua primeira longa metragem, um projecto perturbante sobre a violência, um marco incontornável na obra de Malick.
Nos papéis de Kit e Holly estão dois actores fora de série, Martin Sheen, no papel de um rapaz inadaptado sem rumo, enérgico e explosivo, torna-se num psicopata anti social. Um homem do lixo que se considera um sósia fora da lei de James Dean. Sissy Spacek, representa uma miúda de 15 anos (embora, na realidade tivesse 24) no papel de uma teen apaixonada com comportamento passivo, e resignada à sua sorte. A história é inspirada no caso verdadeiro de delinquência dos anos 50, de Charles Starkweather e Caraol Fugate, também serviu de mote para outros realizadores, como Breathless de Godard em 1960 e Bonnie e Clyde de Arthur Penn em 1967. Uma história que fascina pela irreverência, entre um rapaz, com comportamentos desadequados, e uma rapariga inocente levada pela aventura. No início da história temos o assassinato do severo pai da rapariga, como solução fácil de um problema sem saída, e depois a construção de um de um refúgio, no meio da mato, onde o casal vive o amor em comunhão com a natureza, filmado em beleza por Malick. Ao contrário do que se possa imaginar, toda a narrativa de Malick é realizada de tal foma, que não sugere um drama violento. Há cenas desarmantes, daqueles amantes rebeldes em fuga, que nos fazem cativar. Alheios a qualquer situação, eles dançam ao ar livre, ao som de “Love is Strange”, ou param religiosamente para ouvir Nat King Cole.
Badlands é uma história fascinante, uma obra de culto na história do cinema absolutamente intemporal.

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