19/09/10

La Haine (1995)


A história decorre após uma enorme revolta e confrontos violentos em Paris entre jovens e a polícia. Tanto que o filme é dedicado a todos os que morreram durante a sua realização. Um filme onde ficção e realidade andam de mãos dadas. Faz-nos lembrar, de algum modo, filmes fabulosos como “Cidade de Deus” ou “American History X” mas num contexto europeu. Foi um filme polémico em França, por evidenciar e retratar de forma nua e crua a realidade das zonas mais pobres e degradadas dos bairros sociais da periferia, povoados em larga dimensão por africanos e seus descendentes, onde o desemprego a pobreza e o crime é uma constante.
Três jovens deambulam por Paris após os derradeiros acontecimentos e distúrbios, um judeu, Vinz (Vincent Cassel) um árabe, Said (Saïd Taghmaoui) e um negro Hubert (Hubert Koundé), três personalidades muito diferentes, unidos pela amizade e decadência em que sobrevivem num ambiente de rude violência. Onde tal como Hubert , supostamente, o mais controlado , diz ”O ódio gera ódio”, e essa ideia fica bem patente em todo o filme. Vincent , quer a todo o custo vingar-se por um amigo, Abdel (Abdel Ahmed Ghili) que foi brutalmente espancado por um polícia e se encontra à beira da morte. Declara-se a corrupção dentro da própria polícia e os valores que as norteiam, no que respeita a drogas e torturas. As 24 horas em que o filme acontece vão-se intensificando numa série de conflitos terminando num desenlace algo inesperado. O final faz-nos reportar para uma citação que nos aparece no início do filme “O importante não é a queda, mas como se aterra.” Acaba por ser um filme político, onde o que importa não é apontar soluções, mas sim reflectir sobre esta complexa realidade, como o racismo e a imigração.
A película, toda ela a preto e branco confere maior intensidade dramática a todas cenas. É um filme de muitas emoções, medo, raiva, alegria, tristeza mas o ódio, que dá titulo ao filme prevalece de princípio ao fim.
Vincent Cassel, incorporando uma personagem consumida pelo ódio e capaz das maiores atrocidades, merece uma referência especial pela sua interpretação, trazendo-nos por momentos, à memória Robert de Niro em Taxi Driver.
A referir, venceu o prémio de “Melhor Realizador” em Cannes e também de ”Melhor Filme” nos Césares.
Em jeito de curiosidade, Mathieu Kassovitz, que também é actor, foi o protagonista de "Amélie Poulain".

2 comentários:

  1. Gostei imenso deste filme, particularmente do plano em que a câmara sobrevoa o bairro ao som de Edith Piaf... Faz-me lembrar as "Asas do Desejo" cruzadas com uma instalação da Pipilotti Rist, da qual não me recordo do nome. Obrigada pela publicação Manuela ;)

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  2. H)esse é mesmo um momento especial do filme. O rapaz em grande concentração e nervosismo, a pôr música, Edith Piaf, para toda a praça e redondezas..E o plano é realmente muito bonito.

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