
A tentação irresistível é analisar este filme com base nas clássicas dicotomias do dever e da moral, da dor e do prazer, do bem e do mal.
É um filme sobre as relações humanas e a sua complexidade. Um amor desenvolvido por uma prisioneira de um campo de concentração nazi e um oficial das SS hitlariana. Em 1957, treze anos após a sua libertação, têm um reencontro, por mero acaso, num hotel de Viena de Áustria, numa vivência já de paz e democrática. O ex- oficial trabalha como porteiro nocturno do hotel e faz parte de uma organização secreta nazi que pretende eliminar todos aqueles que possam ser possíveis denunciadores. Lúcia (Charlotte Rampling) é um alvo a abater, mas Dirk (Maximilian Theo Aldorfer) não só não o faz, como ainda a protege. E são, então, confrontados com toda uma relação exposta à degradação física e mental. É muito mais do que um filme sobre relações sadomasoquistas. Mais do que a luta entre o bem e o mal, num plano mais geral, há uma dimensão humana que se sobrepõe às questões de justiça. Seria legítimo que Lúcia renunciasse ao seu amor quando Dirk dava indícios de arrependimento e de querer regressar a uma vida normal, longe da guerra e das perseguições. Poder-se-á perguntar o que é mais importante a capacidade de perdoar e de tolerância ou a atitude de vingança. E também questionar o direito à liberdade de opção deste casal pela felicidade, por uma vida própria. No fundo tudo se resume a saber se a liberdade existe após a derrota do nazismo.
Como nota suplementar, será de assinalar que a música que Lucia canta, num grande momento do filme, no qual imita a Lola de Marlene Dietrich, em "O Anjo Azul", de 1930, inspirou, mais tarde, também um videoclipe da Madonna.
É um filme sobre as relações humanas e a sua complexidade. Um amor desenvolvido por uma prisioneira de um campo de concentração nazi e um oficial das SS hitlariana. Em 1957, treze anos após a sua libertação, têm um reencontro, por mero acaso, num hotel de Viena de Áustria, numa vivência já de paz e democrática. O ex- oficial trabalha como porteiro nocturno do hotel e faz parte de uma organização secreta nazi que pretende eliminar todos aqueles que possam ser possíveis denunciadores. Lúcia (Charlotte Rampling) é um alvo a abater, mas Dirk (Maximilian Theo Aldorfer) não só não o faz, como ainda a protege. E são, então, confrontados com toda uma relação exposta à degradação física e mental. É muito mais do que um filme sobre relações sadomasoquistas. Mais do que a luta entre o bem e o mal, num plano mais geral, há uma dimensão humana que se sobrepõe às questões de justiça. Seria legítimo que Lúcia renunciasse ao seu amor quando Dirk dava indícios de arrependimento e de querer regressar a uma vida normal, longe da guerra e das perseguições. Poder-se-á perguntar o que é mais importante a capacidade de perdoar e de tolerância ou a atitude de vingança. E também questionar o direito à liberdade de opção deste casal pela felicidade, por uma vida própria. No fundo tudo se resume a saber se a liberdade existe após a derrota do nazismo.
Como nota suplementar, será de assinalar que a música que Lucia canta, num grande momento do filme, no qual imita a Lola de Marlene Dietrich, em "O Anjo Azul", de 1930, inspirou, mais tarde, também um videoclipe da Madonna.

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