01/11/10

Swans "My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky"


Swans estão de volta com My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky ,após mais de uma década de descanso.
Após terem anunciado a sua morte com Swans Are Dead em 1998, Michael Gira, figura emblemática da banda regressa com a sua voz melancólica mas mais madura, e com letras cruas sobre o medo, o amor, a religião, o existencialismo.
A faixa que abre o álbum No Words/ No Thoughts dá o mote para embarcarmos numa viagem doutra dimensão. A sonoridade é tudo menos convencional, desgarrada de trilhos rígidos ou de conceitos estabelecidos. Ultrapassa de forma indomável barreiras que nos vão transmitindo força e, mais uma vez, o vigor criativo de Gira. A mistura de conceitos e estilos torna-o ainda mais apetecível.
Deixo-vos o vídeo da quinta faixa, You Fucking People Make Me Sick uma das minhas preferidas deste álbum, que conta com a participação de Devendra Banhart e a própria filha de Gira.O álbum conta também com a participação do ex-Swans e actual baterista de Rem, Bill Rieflin, e de Grasshopper dos Mercury Rev.



Em suma, My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky demostra que Swans ainda estão bem vivos e recomendam-se.

Para quem os quiser ver, eles tocam na Aula Magna, em Lisboa, a 9 de Abril e na Casa da Música, no Porto, no dia seguinte.

31/10/10

Nine Inch Nails reeditam álbum


Pretty Hate Machine , o primeiro álbum dos Nine Inch Nails, lançado originalmente em 1989, marco do rock industrial, reeditado em 2005, vai ser reeditado agora numa versão remasterizada a 22 de Novembro, responsabilidade de Trent Reznor, vocalista do grupo e do técnico Tom Baker.
O CD terá no alinhamento um tema extra, a cover de Get Down, Make Love dos Queen originalmente incluída no lado B do single Sin.

Aqui fica, Head Like a Hole, um dos temas mais marcantes do álbum.

27/10/10

Nina Hagen "Naturträne"



Naturträne - Nina Hagen - "Nina Hagen Band" (1978)

26/10/10

Diamanda Galás "Wild Woman with Steak Knives"




Wild Woman with Steak Knives - Diamanda Galas - "The Litanies of Satan" (1982)

25/10/10

A Flock of Seagulls "I Ran"



I Ran - A Flock Of Seagulls - "A Flock Of Seagulls" (1982)

Aula Magna

23/10/10

Mon Oncle (1958)










Tal como a figura de Charlie Chaplin ficou para sempre na nossa memória através de símbolos peculiares como o chapéu, a bengala ou o bigode, não sendo tão conhecido, é certo, mas com um chapéu, uma gabardine e um cachimbo associamos logo a Tati, não ao realizador/actor mas à personagem. A caracterização desta típica personagem iniciou-se no filme “As Férias do Sr.Hulot” e continuou com Mon Oncle.
A associação a Chaplin não se fica só pela caracterização, mas também pela crítica política e social com um sentido de humor mordaz que Tati confere aos seus filmes. Chaplin criticou a industrialização, Tati exerce uma crítica acérrima à modernização e à sociedade do consumo.
Temos dois mundos distintos e o seu contraste. Se num lado temos o espaço organizado, moderno, na periferia da cidade, noutro vemos um amontoado de casas humildes, velhas e cheias de falta de privacidade.
Mon Oncle caracteriza através da família “Arpel” o quotidiano dos inícios do século XX. Uma família que vive numa vivenda que mais parece retirada de um catálogo, em que tudo é automático e pretensiosamente moderno, tornando-se obviamente ridículo. O funcionamento e utilidade dos objectos não estão de acordo com as necessidades do Homem, mas com uma necessidade clara de ostentação. Contudo tudo parece perfeito e cuidado ao mínimo detalhe. Já onde vive o Sr. Hulot torna-se evidente, a proximidade, o calor humano entre as pessoas que se cruzam na rua ou na feira todos os dias.
E é o filho, Gerard que exerce a ponte entre estes dois mundos. Ao sair do seu mundo imaculado, e saindo com o seu tio Sr.Hulot , a criança descobre os prazeres simples da vida na rua tornando-se igual a todas as outras.
Torna-se evidente o propósito de Tati em mostrar como as relações humanas podem ser prejudicadas pela intervenção tecnológica.
Mon Oncle é um filme que não podia ser mais actual. Uma obra sublime.

The National "Terrible Love"



Terrible Love - The National - "High Violet" (2010)


Blitz

17/10/10

Anne Clark "Full Moon"



Full Moon Anne Clark "The Smallest Acts of Kindness" (2008)

Teatro Circo

16/10/10

Discos da minha vida #18



Nick Cave and The Bad Seeds "From Her to Eternity" (1984)

15/10/10

Cocteau Twins "Wax and Wane"



Wax and Wane Cocteau Twins "Garlands"(1982)

14/10/10

Delicatessen (1991)











Realizado por Marc Caro e Jean Pierre Jeunet Delicatessen é uma história que decorre no século XXI em França, num cenário pós apocalíptico de grande escassez de alimento.
O filme inicia de uma forma algo misteriosa, uma figura revestida dos pés à cabeça em lixo foge de uma charcutaria e vai num camião do lixo. Quando de repente encontra o terrível carniceiro (Jean-Claude Dreyfus) especialista em carne humana. A partir do momento em que o ex-palhaço, Louison chega a Delicatessen, a residência do carniceiro, e se apaixona pela sua filha, este vai arranjar-lhe emprego com o intuito de o fazer em picado. Julie (Marie-Laure Dougnac),que é violoncelista e vê muito mal, apaixona-se por Louison e quer salva-lo das garras do pai. Entretanto pede socorro a um bando de rebeldes que vive no underground.
O que conta neste filme, acima de tudo, é a visão imaginativa, a originalidade e o senso de humor bizarro, negro e muito subtil. Conta com uma atmosfera densa e sombria é visualmente muito bem elaborada. A história diverte pelas cenas caricatas e pelo fascínio que elas suscitam:uma sujeita obcecada pelo suicídio, que nunca consegue atingir o seu objectivo, um sujeito que se alimenta de sapos que cria, Julie que vê tão mal que passa a vida a partir objectos, ou os números de circo de Lousion.
Delicatessen é um filme pouco convencional, com um espírito irreverente, que agarra pelos pormenores únicos de cada cena. Com Delicatessem estamos no mundo do "faz-de-conta" e pelo sonho é que vamos.

10/10/10

Tuvalu (1999)

Sem querer desvendar a história, com Tuvalu fazemos uma viagem pelo sonho. Sentimos que estamos a mergulhar num mundo da fantasia e de imaginação. Lembra-nos o cinema mudo do início do século 20. O diálogo, muito escasso é apresentado numa mistura de línguas europeias. Por sinal o filme conta com actores de variadíssimas nacionalidades. No filme as imagens, os cenários, a expressão corporal, falam por si só. O aspecto visual é muito idêntico ao Delicatessen, aliás o cenógrafo é o mesmo. O filme é todo passado ou a preto e branco ou em tons sépia o que lhe confere um aura nostálgica de outros tempos. Tem uma banda sonora fantástica.
A história é simples, mas muito bem construída e contada. Denis Lavant como Anton e Chulpan Khamatova como Eva conferem à história toda a intensidade e a magia que ela nos vai transmitindo. Tuvalu tem algumas cenas fabulosas. A cena em que Eva se encontra na piscina vazia, à noite, a nadar com um aquário e um peixe é magnífica. Outra cena impressionante é a do funeral do pai de Anton na piscina, já no final do filme, como sinal de transcendência para outro cosmos.
Um filme surpreendente e apaixonante, que nos transporta para o delirante reino da fantasia.

09/10/10

Psychedelic Furs "Heaven"



Heaven Psychedelic Furs "Mirror Moves" (1984)

05/10/10

Mãe e Filho (Mat i Syn) (1997)




Zola Jesus "Sea Talk"


Sea Talk Zola Jesus " Stridulum II" (2010)

03/10/10

Stalker (1979)

Ninguém sabe explicar o surgimento da Zona. Apesar do perigo decretado pelo governo, muitos tentam e continuam a lá ir, por acreditarem que lá encontrarão o local onde se realizam todos os seus mais recônditos desejos. Mas apenas alguns conseguem ultrapassar todas as armadilhas, os Stalkers. E vai ser um Stalker que vai guiar um escritor e um cientista por todo um caminho de provações e labirintos sinuosos. O escritor famoso é céptico e gosta de filosofar, vai para a Zona, porque lhe falta a inspiração. O cientista não menciona o seu propósito, apenas diz que quer estudar e saber mais sobre a Zona. Mas Stalker, um homem humilde e sensível é o único que sente cada obstáculo com que se depara, sente-o na pele com uma dor profunda.
É um filme inesquecível. Tudo o que possamos dizer é pouco perante a grandiosidade do filme. Trata-se de um filme introspectivo, tudo nele é inquietude, transportando-nos para vários estados de espírito. Tarkovsky é um realizador sobre a espiritualidade humana e este filme não foge à regra. Um filme cheio de sequências sobre questões existenciais, com belos e detalhados planos, movimentos da câmara lentos e precisos, captando cada momento com maior exactidão. É um filme sobre a fé e a transcendência do homem, filmado com inteligência e muita mestria.
É uma adaptação da novela Roadside Picnic, dos irmãos Strugatsky. Tarkovsky sempre disse que a sua adaptação tinha sido muito livre e em pouco se assemelhava ao livro.

30/09/10

Trentemøller "Evil Dub-Moan"



Evil Dub-Moan Trentemøller "The Last Resort" (2006)

27/09/10

Ordo Rosarius Equilibrio "Three Is An Orgy, Four Is Forever"



Three Is An Orgy, Four Is Forever Ordo Rosarius Equilibrio & Spiritual Front "Somewhere Between Equilibrium And Nihilism" (2005)

26/09/10

Il portiere di notte (1974)


A tentação irresistível é analisar este filme com base nas clássicas dicotomias do dever e da moral, da dor e do prazer, do bem e do mal.
É um filme sobre as relações humanas e a sua complexidade. Um amor desenvolvido por uma prisioneira de um campo de concentração nazi e um oficial das SS hitlariana. Em 1957, treze anos após a sua libertação, têm um reencontro, por mero acaso, num hotel de Viena de Áustria, numa vivência já de paz e democrática. O ex- oficial trabalha como porteiro nocturno do hotel e faz parte de uma organização secreta nazi que pretende eliminar todos aqueles que possam ser possíveis denunciadores. Lúcia (Charlotte Rampling) é um alvo a abater, mas Dirk (Maximilian Theo Aldorfer) não só não o faz, como ainda a protege. E são, então, confrontados com toda uma relação exposta à degradação física e mental. É muito mais do que um filme sobre relações sadomasoquistas. Mais do que a luta entre o bem e o mal, num plano mais geral, há uma dimensão humana que se sobrepõe às questões de justiça. Seria legítimo que Lúcia renunciasse ao seu amor quando Dirk dava indícios de arrependimento e de querer regressar a uma vida normal, longe da guerra e das perseguições. Poder-se-á perguntar o que é mais importante a capacidade de perdoar e de tolerância ou a atitude de vingança. E também questionar o direito à liberdade de opção deste casal pela felicidade, por uma vida própria. No fundo tudo se resume a saber se a liberdade existe após a derrota do nazismo.
Como nota suplementar, será de assinalar que a música que Lucia canta, num grande momento do filme, no qual imita a Lola de Marlene Dietrich, em "O Anjo Azul", de 1930, inspirou, mais tarde, também um videoclipe da Madonna.

25/09/10

Lloyd Cole and the Commotions "Perfect Skin"



Perfect Skin Lloyd Cole and the Commotions "Rattlesnakes"(1984)

19/09/10

La Haine (1995)


A história decorre após uma enorme revolta e confrontos violentos em Paris entre jovens e a polícia. Tanto que o filme é dedicado a todos os que morreram durante a sua realização. Um filme onde ficção e realidade andam de mãos dadas. Faz-nos lembrar, de algum modo, filmes fabulosos como “Cidade de Deus” ou “American History X” mas num contexto europeu. Foi um filme polémico em França, por evidenciar e retratar de forma nua e crua a realidade das zonas mais pobres e degradadas dos bairros sociais da periferia, povoados em larga dimensão por africanos e seus descendentes, onde o desemprego a pobreza e o crime é uma constante.
Três jovens deambulam por Paris após os derradeiros acontecimentos e distúrbios, um judeu, Vinz (Vincent Cassel) um árabe, Said (Saïd Taghmaoui) e um negro Hubert (Hubert Koundé), três personalidades muito diferentes, unidos pela amizade e decadência em que sobrevivem num ambiente de rude violência. Onde tal como Hubert , supostamente, o mais controlado , diz ”O ódio gera ódio”, e essa ideia fica bem patente em todo o filme. Vincent , quer a todo o custo vingar-se por um amigo, Abdel (Abdel Ahmed Ghili) que foi brutalmente espancado por um polícia e se encontra à beira da morte. Declara-se a corrupção dentro da própria polícia e os valores que as norteiam, no que respeita a drogas e torturas. As 24 horas em que o filme acontece vão-se intensificando numa série de conflitos terminando num desenlace algo inesperado. O final faz-nos reportar para uma citação que nos aparece no início do filme “O importante não é a queda, mas como se aterra.” Acaba por ser um filme político, onde o que importa não é apontar soluções, mas sim reflectir sobre esta complexa realidade, como o racismo e a imigração.
A película, toda ela a preto e branco confere maior intensidade dramática a todas cenas. É um filme de muitas emoções, medo, raiva, alegria, tristeza mas o ódio, que dá titulo ao filme prevalece de princípio ao fim.
Vincent Cassel, incorporando uma personagem consumida pelo ódio e capaz das maiores atrocidades, merece uma referência especial pela sua interpretação, trazendo-nos por momentos, à memória Robert de Niro em Taxi Driver.
A referir, venceu o prémio de “Melhor Realizador” em Cannes e também de ”Melhor Filme” nos Césares.
Em jeito de curiosidade, Mathieu Kassovitz, que também é actor, foi o protagonista de "Amélie Poulain".

18/09/10

Cabaret Voltaire "Sensoria"



Sensoria Cabaret Voltaire "Micro Phonies"(1984)

06/09/10

Discos da minha vida # 17



Prefab Sprout "Steve McQueen" (1985)

04/09/10

The Young Gods "September"



September The Young Gods "Play Kurt Weill" 1991

03/09/10

The Dreamers 2003



The Dreamers, filme realizado por Bernardo Bertolucci, mais conhecido pela polémica película “Último Tango em Paris”, mas também pelo "O último Imperador” ou “Beleza Roubada” voltou a chocar susceptibilidades, após a sua apresentação em 2003. Essas reacções deveram-se não só à nudez explícita e descomplexada de algumas cenas do filme como pelo seu eventual carácter algo transgressor.
A película aborda a ida de um jovem, Mathew (Mathew Pitt) que vai vai estudar para Paris. Lá cruza-se com os irmãos gémeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) e acaba por os conhecer e ir viver com eles, enquanto os pais deles estão para fora. Mathew é um amante de cinema. A paixão pelo cinema acaba por uni-los. As relações adensam-se, tornando-se cúmplices cada vez mais obsessivas e ciumentas. Tudo decorre com o Maio de 68 como pano de fundo e com todo o movimento contestatário que daí advém.
Bertolucci de uma forma soberba realiza paralelismos entre afectos, sexualidade e amor com ideais, utopias e revoluções. Centrando-se numa relação de três jovens em que tudo é levado aos limites, transgredindo convenções, vemos uma reflexão sobre a passagem da adolescência para o mundo adulto e de todas as contradições que lhe são subjacentes, chegando a pôr em causa as suas próprias convicções.
Dreamers, para além de caracterizar uma geração, é também um hino de amor à sétima arte. O filme mantém do início ao fim, através de uma excelente montagem, inúmeras referências a filmes clássicos memoráveis e intemporais: Band à Part, Freaks, Queen Cristina, Persona, À Bout de Soufle, Blow up, Mouchette.
Deliciosa é também a discussão de Mathew e Theo sobre Buster Keaton e Charles Chaplin , Jimy Hendrix e Eric Clapton.
De referir ainda o desempenho do magnífico elenco, a soberba fotografia, a que Bertolucci sempre nos habituou e a escolha selectiva da banda sonora, bem apropriada à época: Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Edith Piaf, Geat, ful Dead, François Hardy, Montand.

01/09/10

De volta...

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Minus Zero - Merzbow - "Red Magnesia Pink"

27/07/10

Naked Lunch (1991)














O filme O Festim Nu combina o romance de Burroughs, Naked Lunch e inspira-se na morte preversa da mulher de Burroughs.
Cronenberg conjuga uma mistura de facto e ficção dentro do enquadramento rígido e formal do film noir. O resultado é mais um retrato surreal de Burroughs do que uma narrativa tradicional.
Peter Weller é Bill Lee (pseudónimo de Burroughs), um exterminador viciado no seu próprio pozinho contra insectos, que após ter morto acidentalmente a mulher, escapa para a misteriosa interzona. Lá é recrutado como espião num mundo habitado por máquinas de escrever que são insectos vivos, criaturas diversas, de cujos corpos brotam substâncias estranhas.
A subversão da narrativa por parte de Cronenberg é admirável, e admiráveis são também os desempenhos de Weller, Judy Davis e Roy Sheider. Mas a par da fotografia de Suschitzky merece também menção a música espantosa, uma colaboração entre Howard Shore, o compositor preferido de Cronenberg e o lendário saxofonista Ornette Colman.
Para além de Cronenbeg, entre outros, estiveram interessados em adaptar esta obra Terry Southern, John Huston, Frank Zappa, e Terry Gilliam.
Naked Lunch conquistou sete premios no Genie Awards, incluindo Melhor Filme e Melhor Director.

26/07/10

Peter Murphy "The Sweetest Drop"



The Sweetest Drop Peter Murphy "Holy Smoke" (1992)

25/07/10

Factory


A gravadora Factory um dos nomes mais importantes para a divulgação da música electrónica inglesa dos anos 80 reabriu as suas portas em Manchester no início deste ano. Peter Hook, baixista do New Order, inaugurou no mesmo local onde funcionavam os escritórios da empresa, a casa shows FAC251.
O espaço está desocupado desde 1993, quando o empresário Tony Wison anunciou o fim da gravadora.
A Factory lançou nomes importantes do pós – punk como Joy Division, New Order Happy Mondays…
As instalações da FAC251 terão assinatura de Ben Kelly, o arquiteto responsável pelo projeto do Hacienda - casa noturna considerada o embrião da cena clubber na Inglaterra. A história da famosa disco é contada no filme “A festa nunca termina”, de Michael Winterbottom.
O novo clube terá três andares, com capacidade para 350 pessoas.
Hook promete apresentar nas festas do FC251 tocando hits que fizeram parte do catálogo da Factory, mas também dará espaço para novas bandas.
Quem passar lá por perto nestas férias, tem um novo espaço a visitar.

24/07/10

Wanda (1970)
















Wanda é um filme praticamente desconhecido realizado por Barbara Loden. Este é um belíssimo filme dentro da produção americana independente , que descreve através de uma personagem, uma figura magnífica, vagabunda, que se encontra à margem da ordem social, uma mulher desprovida de motivações, desejos ou força de carácter. Wanda deixou marido e filhos, erra sem destino até que conhece um ladrão, Dennis, de quem se torna amante e cúmplice.
Ela representa o oposto das mulheres independentes e contestatárias dos anos 70. Ela vagueia agarra-se às oportunidades que lhe vão surgindo no caminho como tábua de salvação. Mas nada lhe é indiferente, ela apenas espera alguém em quem confie. Ela não é ninguém, não tem identidade. Ela fez-se à estrada porque não era boa em nada, foi despedida do emprego, porque não era suficientemente rápida. O final do filme é bem exemplificativo da compaixão que ela nos faz sentir, sozinha no meio da multidão.
Wanda é um filme de uma violência contida peturbadora.
Loden foi aluna de Kazan e trabalhou com ele como actriz em Wild River (1960), o seu segundo filme; e em Splendor in the Grass (1961). Três anos depois casou com Kazan e com ele trabalhou.
Em 1970 realizou este seu único filme,cujo argumento é feito em parceria com Nick Proferes, com quem trabalhou em vários projectos. É também a interprete de Wanda.
Faleceu em 1980 com apenas 48 anos mas deixou-nos este filme exemplar, retrato de uma sociedade triste e indiferente aos loosers.

22/07/10

O Couraçado Potemkine (1925)





O Couraçado Potemkine é considerado o melhor filme russo e um dos grandes filmes da história do cinema mundial.
Potemkine foi um filme encomendado por Lenine para comemorar os vinte anos da revolta dos marinheiros e de todo o apoio prestado por estes ao proletariado na luta contra o czar. Compreende-se assim que o filme de Serguei Eisenstein seja também um dos maiores filmes de propaganda da história. Foi filmado na União Soviética em 1925, onde narra a história da revolta da tripulação da marinha russa, em 1905. Mostra toda a situação precária dos marinheiros oprimidos e revoltados contra os constantes abusos. Eisenstein transmite melhor que ninguém, toda a envolvência da união dos povos que lutavam contra a desigualdade e por melhores condições de vida.
Esta película teve décadas de censura em diversos países por ser considerado perigoso e subversivo, ensaios incontáveis que analisam a sua estrutura, simbolismo, origens e efeitos, milhares de citações visuais, tudo isto contribuiu para obscurecer a estória por trás do filme. É notável não só a visão lendária sobre a opressão e a revolta, a acção individual e colectiva, mas também a ambição artística de trabalhar em simultâneo com corpos, luz, objectos triviais, símbolos, rostos, movimentos e formas geométricas. Eisenstein revolucionou o modo de se fazer filmes com as suas inovadoras técnicas de fazer o corte e a montagem.
Muitos são os espectadores que só viram os extractos ou sequências mais famosas de Potemkine. Ficarão decerto surpreendidos, ao experimentarem a força desta história comovente e dramática, que a película transmite, quando a virem na totalidade.
O filme tem várias imagens memoráveis o carrinho do bebé que cai dos degraus ; o rosto de um marinheiro morto sob uma tenda no fim do cais ; os vermes na carne; os óculos do poder político. Mas a cena aterrorizante da escadaria de odessa, é talvez o momento mais brilhante de todo o filme. Sequência que Brian de Palma copiou em The Untouchables em 1987.

20/07/10

This Mortal Coil "Another Day"



Another Day This Mortal Coil " It'll End in Tears" (1984)

19/07/10

Bauhaus "Telegram Sam"



Telegram Sam Bauhaus "Telegram Sam" (1980)

18/07/10

M (1931)


M é o primeiro filme sonoro de Fritz Lang e, na época, o som era uma criança de três anos. Os primeiros haviam-no explorado como novidade técnica para bater concorrentes poderosos. Muito poucos foram os que, nesses primeiros tempos, viram o mais que adiante se veria, ou seja que o cinema iria ser cada vez menos coisa só de ver, coisa só de imagens. Entre esses muito poucos, lugar de grande relevo assume esta obra de Rouben Mamoulian. Mas este filme de Fritz Lang dá por essas bandas sonoras um salto em frente de todo o tamanho. Ainda se está no genérico (com desenhos de sabor expressionista), quando se começa a ouvir o assobio, com o tema do Peer Gynt de Grieg. A música é relativamente familiar e só mais tarde se saberá o que ela significa para o protagonista, para as suas vítimas e para o desenrolar da própria acção.
Quando o assobio cessa, vemos em plongé a roda das crianças, cantando uma lenga-lenga infantil, cuja letra alude ao homem preto que vem aí para te fazer em picadinho. Há um longo movimento ascensional da câmara, que vai ter a uma mulher que manda acabar com aquela “maldita cantilena”. Mas a cantilena não acaba e ouvimo-la ainda na imagem seguinte, sobre o famoso plano em que a sombra de Peter Lorre se projecta no cartaz que pede a captura do assassino. Quando, mais tarde, se volta a ouvir, em in e já não em off, o famoso assobio, percebe-se que a “maldita cantilena” talvez fosse menos a das crianças, e mais a que, antes do genérico, tínhamos escutado. A lenga-lenga dos miúdos indicara uma cor e uma sombra; o tema de Grieg era o leitmotiv da morte e do impulso para ela. Assim, o elemento inquietante não vinha do tema musical que aparentemente o era (pela sinistra letra e pelo sinistro ritmo) mas da folclórica dança nórdica do pacífico e sentimental compositor norueguês que se chamou Edvard Grieg. As aparências enganam.
Assobia na noite quem tem medo e está só. Assobia quem sente necessidade de acompanhamentos (companhias) para estremeções que não controla e que o fazem rodopiar. Para danças obscuras, sem mãos dadas, como as rodas das crianças. (...)
E assim chegamos ao outro pólo da obra: o medo. Medo de Beckert de si mesmo e dos outros; medo do olhar sem dono que comanda a sistemática visão em plongé; medo dos polícias e medo dos ladrões, recíproco e comum; medo dos olhares fixos que não sabem ouvir (o espantoso contracampo que descobre a Lorre a multidão dos seus julgadores, fixos no silêncio e na impossibilidade de escutar); medo do que os olhares lhe devolvem das suas próprias palavras e das palavras dos seus defensores e acusadores (o prodigioso vaivém da câmara na sequência do julgamento); medo do que só é visto por emanação; as sombras, os frutos, as luvas, os bibelots, tudo o que dá sinal de uma presença, ocultando essa mesma presença.
Porque neste filme (donde o sistemático recurso à montagem paralela) tudo se intercomunica: os gestos dos ladrões repetem os dos polícias ou vice-versa, como se repetem os discursos uns dos outros; a condenação vem tanto da lei como da ausência dela.
Porque neste filme não é nas prisões nem no mundo do crime que há que procurar Beckert, mas nos asilos e nos manicómios, Beckert não é encontrado por ter cadastro, mas por ter estado internado num hospício de loucos.
Meditação sobre a inanidade da culpa e o absurdo da justiça - temática cara de Lang e que a sua obra futura desenvolveria “para além de razoáveis dúvidas” - M é sobretudo a descida à última razão de ser do que separa os actos dos motivos deles, o visível do invisível, o que cabe em palavras e o que elas jamais podem dizer, o audível do inaudível. Entre a sua imagem e o seu “sopro”, Beckert não encontrou o meio termo “em que talvez tivesse podido substituir”. Com M, o som, misturando-se com a imagem, recuperou o mundo das paixões para o espaço privilegiado delas que é a mudez. O primeiro grande filme sonoro é o primeiro filme do total silêncio.
Tudo reside num assobio e numa dança. Ou seja, no cinema.

João Bénard da Costa
(texto adaptado)

16/07/10

E foi assim que tudo começou...

Sala de Projecção, dos finais do Século XIX, inicio Século XX

"Em 28 de Dezembro de 1895 tem lugar em Paris, no Grand Café (Boulevard des Capucines), a primeira projecção pública com entradas pagas, considerada a data “oficial” do nascimento do Cinema.
Até aí, graças ao Kinetograph, aparelho patenteado e desenvolvido por Thomas Edison e mostrado pela primeira vez a 20 de Maio de 1891, os filmes pouco mais eram do que pequenas curiosidades de feira que podiam apenas ser vistos individualmente, “espreitando” para interior do Kinetoscope.

Homem assiste a uma sessão do Kinetoscope

Apesar de ter sido Edison o primeiro a descobrir as possibilidades da película e da exibição na própria camera, não lhe é hoje reconhecida a paternidade do cinema, por nunca ter acreditado nas suas possibilidades de exibição num ecrã.

Thomas Edison

O Cinema só nasce aquando da sua primeira experiência colectiva e, da sessão de 28 de Dezembro, inteiramente preenchida com 10 filmes dos irmãos Lumière, fica celebre o episódio da exibição de “L'Arrivée d'un Train à la Ciotat”, onde o público, espantado com o realismo da projecção, foge em pânico da sala com medo de ser esmagado."


Pedro Vasconcelos

14/07/10

Metropolis (1927)







Metropolis que originalmente durava mais de duas horas, é o primeiro épico de ficção cientifica, com os seus enormes cenários, centenas de figurantes, efeitos especiais de última geração e sequências fantásticas de grande inovação. A película do director austríaco Fritz Lang, um dos célebres representantes do expressionismo alemão, colocou os estúdios da UFA à beira da falência , dado que este foi um enorme fracasso de bilheteira.
A distribuição desta dispendiosa película foi interrompida, pouco depois da sua estreia e, contrariando os desejos de Lang, o filme foi remontado. A maior parte do público conheceu ,assim, uma Metropolis simplificada e até colorida como é o caso da versão de Giorgio Moroder nos anos 80. Só no século XXI nos aproximámos da verdadeira obra de Lang devido a uma restauração parcial que recuperou muitas cenas ignoradas durante décadas e as colocou na sua ordem original e com os intertítulos correctos. Em lugar das cenas ainda não encontradas foram inseridas legendas de ligação. Esta nova versão dá ao filme que era considerado de ficção científica uma visão mítica, uma vez que elementos de arquitectura, indústria, design e política dos anos 20 são misturados com referências medievais e bíblicas. É criado assim, um ambiente de estranheza impressionante: um cientista louco com uma mão de aço que é em simultâneo um alquimista, um robô queimado na fogueira, os trabalhadores de uma de uma fábrica enorme marcham penosamente em direcção à mandíbulas de uma máquina.
A história passa-se em 2026, um século depois do lançamento do filme. A narrativa trespassa a realidade da época. A Revolução Industrial tinha atingido o seu auge, o sistema capitalista dava sinais de desgaste, havia um certo pessimismo relativamente ao futuro.
Fritz Lang traça um retrato do que iria acontecer no futuro nos grandes centros urbanos.
Metropolis é um território que se encontra claramente dividido entre os senhores e a classe operária, mas também pelas máquinas.
O Homem e a tecnologia estão intrinsecamente ligados, numa relação de dependência, que ilustra bem o domínio da máquina sobre o ser humano.

Discos da minha vida # 15



The Waterboys "This is The Sea" (1985)

12/07/10

The Cure "A Forest"



A Forest - The Cure "Seventeen Seconds" (1980)

11/07/10

Last Days (2005)







Last Days retrata o último período da vida do maior ícone do movimento grunge, e uma das maiores referências do rock dos anos 90, Kurt Cobain, líder dos Nirvana. A inspiração foi o suicídio de Cobain, mas a fita desliga-se de qualquer concretização e filma os derradeiros dias de alguém que está, nitidamente, num processo de autodestruição. Este filme fala sobre a meditação no isolamento, na morte e na perda. Divaga sobre o lugar de um mundo muito pessoal e intimista numa atmosfera controversa. É uma obra cinematográfica de grande qualidade, que segundo o próprio autor, fecha uma trilogia denominada ciclo da morte (sendo os outros dois filmes: "Gerry", de 2002, e "Elephant", de 2003).