08/04/10

Mão Morta - Sob foco


Os Mão Morta puseram Braga no mapa musical nacional e fizeram dela algo mais do que uma cidade de arcebispos. Os 25 anos de carreira da banda são também 25 anos atentos à transformação de uma cidade, e a expor os podres da sociedade. Adolfo Luxúria Canibal fala da cidade que viu os Mão Morta nascer.

O que mudou em Braga nestes 25 anos de Mão Morta?
Houve muita coisa que mudou, pelo menos na aparência. Em 25 anos, os Mão Morta cresceram, Braga ficou no mesmo sítio. Braga cresceu muito em termos de população e construção. Tem um problema terrível que é o desordenamento urbanístico, que começa no centro. E depois uma pessoa sobe ao Bom Jesus, olha para a cidade e ela parece um grande vomitado. As casas são todas sem personalidade, sem charme, tudo uma mancha creme.

O que faz falta em Braga?
O que faz mais falta em Braga é mesmo a oferta cultural. É horrível, uma pessoa fazer uma vida casa-trabalho, pensar em sair à noite e não ter para onde ir. Não é por acaso que é uma cidade com pouca massa crítica. Não sei se estão aborrecidos pela religião ou pela falta de cultura...Para ser a tal terceira cidade do país que quer reivindicar precisava de outro tipo de incentivos culturais, e Braga não os tem.


E para ser a suposta Capital Europeia da Juventude...

Essa, acho-lhe muita piada. Agora que Braga já não é a capital mais jovem nem de Portugal, nem da Europa e numa altura em que Guimarães tem a Capital Europeia da Cultura, que devia ser orgulho para nós bracarenses, e podendo nós auferir dessa programação inerente à capital, a Câmara inventa uma Capital Europeia da Juventude. Em vez de aproveitar sinergias e criar públicos também em Braga, cria comcorrência.Fico pasmado com o provincianismo desta gente.

O que é que há então de bom em Braga?
Braga é uma cidade muito boa para morrer. Uma pessoa não fica com muitas saudades da vida, não é? Se bem que não tenha incineração, que é uma chatice...

Nem tinham onde deitar as conzas, ninguém quer ser deitado ao Rio Este...
O Rio Este nem peixes tem, e as cinzas iam ali acumular-se com o lixo. É bom estar em Braga para quem for mais velho, para uma pessoa que tenha Braga como ponto de refúgio e que se meta em casa, à lareira, a ouvir a chuva lá fora... Braga é uma cidade óptima, porque tem muita chuva. E que depois tenha dinheiro para viajar e voltar a Braga para ouvir mais um bocado de chuva.Fora isso, é uma cidade que deixa muitas angústias, muita vontade de sair. Não é por acaso que as pessoas saem da cidade, vão para qualquer lado menos Braga.Para Braga as pessoas vêm dormir porque é barato.

Adolfo Luxúria Canibal in "Time Out - Porto"



07/04/10

David Lynch - Ideias

Ideias

"Uma ideia é um pensamento. É um pensamento que contém mais do que se pensa que contém quando se o recebe. Mas, naquele primeiro momento, dá-se uma faísca. Numa banda desenhada, se alguém tem um ideia, acende-se uma lâmpada. Acontece num instante, tal como na vida.
Seria óptimo se o filme inteiro viesse todo de uma só vez. mas vem, para mim, em fragmentos. Aquele primeiro fragmento é como a Pedra de Roseta. É a peça do puzzle que indica o resto. É uma peça de puzzle esperançosa.
Em Veludo azul, foi lábios vermelhos, relvados verdes e a canção - a versão de Blue Velvet, de Bobby Vinton. A coisa seguinte foi uma orelha caída num campo. E foi tudo.
Uma pessoa apaixona-se pela primeira ideia, por aquele pedacinho minúsculo. E, depois de a ter, o resto há-de vir com o tempo."

David Lynch, in "Em Busca do Grande Peixe" (Estrela Polar, 2008)

05/04/10

O destino turístico-Rui Zink

É agradável descobrir um livro que nos apega, que queremos ler sempre mais um bocadinho, que não queremos parar de ler. É o que me está a acontecer com “O destino turístico” de Rui Zink.
Este conto sobre Greg, ou Guereg, como queiram, que pretende morrer mas que não tem coragem para se suicidar, vive de uma ideia criativa que inicialmente nos reporta para paragens longíquas, levados por uma realidade estranha do espaço da acção que se assemelha mais a paragens no médio oriente, mas que aos poucos nos faz suspeitar que esta "zona" onde decorre a narrativa afinal não é assim tão longe.

"Greg atravessou o pátio e teve o segundo não-déjá vu do dia. Por uma razão qualquer, quase tinha a certeza de que ia encontrar a jornalista e o câmara à beira da piscina. (...) E lá não-estava ela, exactamente na mesma posição em que no dia anterior. (...)Um não-déjá vu era, de certo modo, simultaneamente o oposto e o dobro de um déjá vu. Este, o produto original, consistia na sensação estranha de voltar a ver uma cena tal & qual nos recordávamos de a ter vivido. Tendo isto em conta, a não-repetição da cena era, simplesmente, a não-repetição da cena. Um não-acontecimento. E um não-acontecimento era, por definição... enfim, um não acontecimento. Algo que não acontecera. Fumo. Fumo de nada. Nada. Só que, por outro lado, o facto de uma pessoa esperar um déjá vu não faria, desde logo, com que isso fosse (até certo ponto) um déjá vu?"

04/04/10

Andrei Tarkovsky


Andrei Tarkovsky nasceu a 4 de Abril de 1932, festejaria hoje o seu 78º aniversário se fosse vivo. Ingmar Bergman considera-o o maior cineasta de todos os tempos, por ter inventado uma nova linguagem, captando a vida como uma reflexão. Mais do que um cineasta é um filosofo da imagem. É considerado um realizador perfeccionista na forma de filmar. Toda a sua obra é marcada por um forte sentido espiritual da vida. Escreveu um único livro "Esculpir o tempo" onde aborda questões sobre os seus filmes, a importância que o cinema teve na sua vida, a poesia nos seus filmes, a metafísica, a fé, a relação entre a estética e a exploração dos conflitos que abalam o nosso universo interior. O realizador de "Stalker" morreria em 1986, logo após ter terminado o filme "O Sacrifício". É um dos meus realizadores favoritos. Parabéns Tarkovsky!


03/04/10

Musicando...










Tom Waits, Chocolate Jesus - "Mule Variations" (1999)
PJ Harvey, Send His Love To Me - "To Bring You My Love" (1995)
U2, Wake Up Dead Man - "Pop" (1997)
Depeche Mode, Personal Jesus - (1989)

02/04/10

Shutter Island


Martin Scorsese consegue definitivamente com mestria prender os olhos dos apaixonados pelo cinema com o seu mais recente lançamento que se trata de uma adaptação do "best seller" de Dennis Lehane (2003), autor de "Mystic River".
Leonardo Di Caprio, depois de ter ganho mais uns quilos, cada vez nos surpreende mais com as suas actuações. É incrível a capacidade que ele tem para imprimir força e realidade à personagem em questão.
Durante semanas li críticas e sonhei em ver o filme. Receei ficar decepcionada, é um filme polémico, ora ditam genialidade ora fracasso.


Tudo ocorre em 1954, quando Teddy(Leonardo Di Caprio), um oficial da polícia, e seu companheiro Chuck (Mark Ruffalo) são chamados para investigar um suposto desaparecimento de uma paciente na ilha para onde são levados.O que mais intriga Teddy é como a paciente poderia ter escapado.É nessa busca incansável que acaba descobrindo a verdadeira razão de ter sido chamado para ilha.

A dramaticidade e a escuridão das cenas dão um toque de terror e suspense que faz o espectador ficar imóvel na cadeira, sem piscar, à espera da cena seguinte.
Shutter Island é absorvente e perturbante com todo o clima de loucura contagiante em que o protagonista é apanhado, onde nada é certo.


Tal como em Taxi Driver (1976) a personagem é intrigante e misteriosa. Enquanto Travis Bickle (Robert De Niro) representa o papel de um ex-veterano de guerra lutando contra a sua própria mente. Teddy, em Shutter Island, passa muito tempo à procura de uma resposta que todos já sabem, mas que ele se recusa a ver.

Gastão Vida de Cão

A inversão da lógica quotidiana costuma resultar em argumentos que agarram o leitor desde o primeiro momento:
"Era uma vez um cão chamado Gastão,
Que morava com cinco
Animais de estimação"
Começa assim, o novo livro escrito por Rita Taborda e ilustrado por Luís Henriques, antevendo-se o potencial cómico, o humor e nonsense decorrente do facto de um cão trocar de perspectiva com os humanos.
Gastão não se contentava em ser cão, ele queria que cada elemento da família "fosse obediente. E com siso e juízo se mantivesse na linha. Seria isso ser muito exigente?"
Talvez não. O curioso é que, se as ilustrações a preto e branco o mostram como um animal saudável nos hábitos de roer, rosnar e alçar a perna, o texto traduz o seu"pensamento"alinhando uma segunda interpretação paralela às imagens. O efeito é paradoxal.

31/03/10

Madrugada




Madrugada é uma das bandas que mais admiro. Têm fortes influências de Suicide, Velvet Underground, Nick Cave, Leonard Cohen ou Joy Division.
Formaram-se em Stokmarknes, Noruega no ano de 1995.
A banda foi formada por Sivert Höyem (vocalista), Robert Buräs (guitarrista), Frode Jacobsen (baixista) e Simen Vangen (baterista), que assumiu mais tarde o cargo, depois de Jon Lauvland Pettersen ter deixado a banda em 2002.

Madrugada - Grit (2001)

30/03/10

Discos da minha vida 5





Neil Young – After The Gold Rush (1970)


1. "Tell Me Why"
2. "After the Gold Rush"
3. "Only Love Can Break Your Heart"
4. "Southern Man"
5. "Till the Morning Comes"
6. "Oh Lonesome Me"
7. "Don't Let It Bring You Down"
8. "Birds"
9. "When You Dance I Can Really Love"
10. "I Believe in You"
11. "Cripple Creek Ferry"

28/03/10

Time Out chegou ao Porto


A Time Out finalmente chegou ao Porto. Tai quê? Time Out! Por mais anos que tenha haverá sempre alguém que não conheça esta revista. O facto de ser uma revista de sucesso nos quatro cantos do mundo faz com que aqui a malta do norte se sinta um pouco mais feliz, com a aposta deste projecto na cidade invicta. Trata-se de um magazine de informação de tempos livres. Proporciona um leitura ligeira, descontraída e actualizada sobre o que fazer nas horas livres. Vieram ocupar um lugar ainda não preenchido, principalmente aqui no norte. Felicidades.

26/03/10

Radiohead




Radiohead - "In Rainbows - From The Basement" (2008)

Participação do Radiohead no programa "From The Basement", de Nigel Godrich. A banda tocou 14 músicas, entre novidades do In Rainbows e clássicos. Imperdível. É quase um Radiohead Unplugged.

Setlist:
01 - Weird Fishes/Arpeggi
02 - 15 Step
03 - Bodysnatchers
04 - Nude
05 - The Gloaming
06 - Myxomatosis
07 - House of Cards
08 - Bangers and Mash
09 - Optimistic
10 - Reckoner
11 - Videotape
12 - Where I End and You Begin
13 - Go Slowly
14 - All I Need

25/03/10

Novidades - CocoRosie












As irmãs Sierra e Bianca estão de regresso pela Sub Pop (os três primeiros vieram à luz pela Touch And Go).O quarto disco da dupla norte-americana sai em 11 de Maio. Chama-se “Grey Oceans” e tem uma capa estranha e bem diferente das anteriores.










O disco é o sucessor de “The Adventures Of Ghosthorse And Stillborn”, de 2007.
Grey Oceans pode talvez não alcançar o conhecimento que CocoRosie conseguiu nos álbuns anteriores, mas agradará muito àqueles que preferem o modo original com que CocoRosie faz suas músicas. E não está nada mal. Mais indígena que nunca, ainda com electrônicos e trazendo uma atmosfera algo exótica.




CocoRosie - Grey Oceans (2010)

Take one


Marcello Mastroianni no papel de Marcello Rubini. O actor e Federico Fellini eram muito amigos, e o cineasta resolveu dar-lhe o papel do seu alter-ego. Na juventude, Fellini tinha sido jornalista. Segundo o crítico italiano Indro Montanelli, primeiro a se aprofundar sobre La Dolce Vita, Rubini era o caçador de notícias mundanas de que Fellini se serviu para explorar a sociedade romana em todos os seus redutos. Dos apartamentos e mansões dos novos ricos aos cafés da Via Veneto, nada escapava do olhar crítico, cínico e ao mesmo tempo terno e ingênuo de Rubini/Fellini.




O assistente de câmara Ennio Guarnieri (à esq.)com a actriz e cantora Nico (que anos mais tarde ficaria famosa por ser vocalista dos Velvet Underground) e Federico Fellini durante uma pausa nas filmagens de La Dolce Vita.




Numa das cenas mais famosas da história do cinema, durante a noite, Marcello e Sylvia (Anita Ekberg), uma actriz de Hollywood que o jornalista corteja, entram na Fontana di Trevi, uma das fontes mais importantes de Roma. A cena tornou-se antológica, mas não o suficiente para alavancar a carreira de Anita, que nunca mais teria a mesma notoriedade.

24/03/10

Andrew Bird



Andrew Bird - Anonanimal
Ao vivo para a Minnesota Public Radio, 11.04.2009.

Discos da minha vida 4




















Doors - LA Woman (1971)

22/03/10

Einsturzende Neubauten

Há dias assim

Hoje comi um bom bife com arroz e grelos salteados. Divinal!
Há dias assim...

Ali Farka Touré& Toumani Diabaté



Um álbum de audição obrigatória.

20/03/10

Laetitia Sadier

Atlas Sound - Quick Canal w/ Laetitia Sadler) from hscottroth on Vimeo.




Quick Canal do álbum Logos dos Altas Sound.

Voz do projecto Stereolab e colaboradora de gente tão distinta como Blur, Mouse on Mars ou Atlas Sound, a cantora francesa é um dos nomes maiores da pop experimental dos últimos 20 anos. Está em Portugal a apresentar alguns dos novos temas a incluir no seu álbum a solo.
Hoje no Passos Manuel no Porto.

É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

17/03/10

Novidades - Anaïs Mitchell




Hadestown é o nome do novo disco de Anaïs Mitchell.
Uma ópera folk sobre a história de Orfeu e Eurídice, mas contextualizado espacio-temporalmente na América pobre da era da Grande Depressão.

Wait For Me conta com a colaboração de Justin Vernon.

16/03/10

Discos da minha vida 3



Tom Waits - Rain Dogs (1985)

15/03/10

Com uma voz irresistível de fazer inveja a qualquer um, Cat Power representa na perfeição a música Indie com uma mistura de pop e blues.
Toca com Jim White, Grega Foreman, Judah Explosion. São os Dirty Blues.
Os meus álbuns preferidos são Jukebox, Greatest e You are Free.
Cat Power, The Greatest, no Jools Holland, um dos melhores programas de música de sempre.

14/03/10

Joana Vasconcelos

Joana Vasconcelos nasceu em Paris, em 1971. É considerada uma das mais influentes artistas plásticas portuguesas da última década, com exposições em Portugal e no estrangeiro. Em Março de 2009, integrou a exposição colectiva «A Certain Stat of the World», no Garage Center for Contemporary Art, em Moscovo. Participou na Bienal de Veneza, em 2005, com a peça A Noiva (um candelabro composto por mais de 25 mil tampões). Recentemente, a peça Coração Independente Dourado foi vendida em leilão da Christie's por 129 mil euros. Em 2005 recebeu o prémio The Winner Tekes It All, atribuído pela Fundação Berardo, para a peça Néctar, e em 2000 venceu o Prémio EDP Novos Artistas. Tem formação em joalharia e trabalha a nível da escultura e instalações.
Miguel Amado irá em Junho apresentar uma reorganização da exposição permanente de Joana Vasconcelos da colecção do Museu Berardo.

"Contaminação



"Néctar"

"Cama Valium"

"Cinderela"

Os trabalhos de Joana Vasconcelos lidam com a esfera inter-humana, as relações entre pessoas, comunidades, indivíduos ou grupos sociais. São produtos culturais de uso corrente.Ou seja, ao invés de elaborar formas com base em matéria-prima, o material que manipula não é primário, ela trabalha com objectos já em circulação no mercado cultural, objectos informados por outro objecto.

O crítico de arte francês Nicolas Bourriaud no livro Pós-produção (Postproduction, 2002) defendia que as noções de originalidade e de criação (fazer qualquer coisa do nada) estavam a diluir-se numa actividade de pós-produção. Um agenciamento no qual as misturas praticadas pelos DJ eram o exemplo por excelência deste contexto cultural contemporâneo, ao manipular e inserir novas transições nos fluxos de informação sonora pré-existentes. O DJ é uma pessoa que usa fragmentos de músicas gravadas para fazer novas composições. «A ideia do DJ é uma ideia que tem a ver com ir buscar coisas, outras composições musicais, por exemplo. Um DJ vai buscar uma música à história da música e faz uma nova composição enquanto a inscreve numa nova classificação musical. Eu não vou buscar obras de arte de ninguém mas sim objectos banais do nosso quotidiano», diz Joana Vasconcelos.

Os teus objectos são formas que questionam as formas sociais...
Questionam o principal «valor» que é o consumismo. As aspirinas [Sofá Aspirina, 1997, blisters de Aspirina] e a cama de valium [Cama Valium, 1998, blisters de Valium] são uma crítica ao consumo de drogas, de medicamentos. Por exemplo, as pessoas mais sensíveis a esta obra são as que têm ou tiveram um forte contacto com aquele medicamento. Falam de experiências pessoais muito fortes, revelam uma certa tensão consumista que tiveram com os produtos utilizados nas peças. As pessoas consomem e raramente são questionadas sobre o excesso de consumo, seja ele de álcool, de medicamentos, de roupas, etc... Consumimos tudo duma forma completamente alucinante. Neste contexto, as minhas peças «pegam» no que toda a gente consome. Não se considera que se consome panelas ou tampões mas, apesar disso, o maior consumo dá-se em objectos socialmente menos valorizados, os objectos banais, comuns, porque só se dá valor ao que é caro e raro. Curiosamente, a aspirina é talvez o medicamento mais consumido do mundo. A única coisa que faço é pôr o dedo no comum. E a essa questão é que as pessoas não estão habituadas. Estão, sim, habituadas a que ponhas uma T-shirt a dizer «eu quero uma aspirina» ou «dá-me um tampão». O consumismo desesperado dá-se muito mais na banalidade do que no luxo.

Nick Cave



Nick Cave & Bad Seeds - Into my arms

Na mesinha de cabeceira



A casa quieta - Rodrigo Guedes de Carvalho

13/03/10

Novidades - The National



High Violet será o novo disco dos The National, a sair em Maio próximo.

Terrible Love, The National

Ao vivo no programa Late Night with Jimmy Fallon (10.03.2010)

11/03/10

Sou rapariga para gostar mais de anti-heróis


Deolinda, Deolinda, Deolinda. O nome diz-lhe o quê na verdade?
Diz-me que falta aí outra Deolinda, uma vez que o projecto musical mais importante da minha vida tem quatro elementos.
É banda para chegar onde?
É engraçado como comparamos o sucesso profissional ao alpinismo. Assim sendo, como qualquer alpinista, o objectivo é o Evereste.
E querem mesmo lá chegar?
Com certeza. Até porque deve ter a melhor vista do mundo.
Gostamos de perguntas "chapa três":quais são as vossas influências?
As nossas influências estão "chapadas" na ilustração de João Fazenda da foto de família da Deolinda que consta no Canção ao lado:Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Sérgio Godinho, Carlos Paredes, José Afonso, Madredeus...
Quem é que a mais surpreendeu nos últimos tempos?
As voltas que dei à cabeça para tentar responder a esta pergunta levaram-me à seguinte constatação: não sou surpreendida há algum tempo.
O que leu ontem?
The Pillars of the Earth, de Ken Follett.
Guarda heróis das suas leituras?
Eu sou rapariga para gostar mais de anti-heróis ou de heróis pitorescos. Aquele que guardo com mais carinho é D.Quixote.
E vilões de estimação?
O Diabo,claro.Querem maior vilão que este?

(...)
Ana Bacalhau, vocalista dos Deolinda em entrevista à revista Ler

10/03/10

Discos da minha vida 2



Miles Davis - Kind of Blue (1959)

08/03/10

Mark Linkous 1962 - 6/03/2010



Home Coming Queen - Sparklehorse

"Vivadixiesubmarinetransmissionplot" (1995)

06/03/10

A Naifa

A Naifa é um projecto musical português nascido em 2004, que conjuga as linguagens clássicas do fado com aquilo que podemos latamente chamar de pop (num sentido não depreciativo).

Com o fado como ponto de partida vão ultrapassar todos os canônes da arte da saudade (não fossem alguns dos membros formados na escola do punk) e criar uma nova linguagem com a inclusão da percursão, do baixo eléctrico e dos sintetizadores.

As canções são criadas a partir de poemas de autores portugueses como Adília Lopes, José Mário Silva e José Luís Peixoto, interpretados na voz poderosa de Maria Mendes, que sem nunca nos esquecermos de nomes como Amália Rodrigues e Dulce Pontes nos enlevam no sentimento de um fado moderno.

O baixo e a bateria dão-nos uma secção rítmica que acompanha na perfeição o dedilhar da guitarra portuguesa, que se por vezes nos faz lembrar Carlos Paredes, também vai beber muito aos blues e ao rock, com "riffs" e "grooves" orelhudos.

Dead Combo

Os Dead Combo são uma banda portuguesa cujas maioritárias influências musicais são o fado, o rock, as bandas sonoras dos Westerns, música da América do Sul e de África. O seu primeiro álbum foi lançado em 2004. A sua sonoridade inovadora foi recebida com entusiasmo pela crítica portuguesa e o álbum consta da selecção dos "Melhores de 2005" do guru da world music Charlie Gillet. Em 2010 será lançado o seu quinto álbum de originais, que contará com convidados internacionais de peso. Os Dead Combo são, certamente, um dos mais interessantes e criativos projectos no âmbito da música portuguesa contemporânea. Formados por Tó Trips, nas guitarras; e Pedro Gonçalves, no Contrabaixo, no Kazoo e nas guitarras, surgiram por acaso para gravar um disco de tributo a Carlos Paredes e acabaram por ir conquistando o seu espaço, impondo a sua própria interpretação.

05/03/10

Dá vontade de experimentar!



This Too Shall Pass, OK Go

"Of The Blue Colour Of The Sky" (2009)

Realização: James Frost, OK Go, Syyn Labs

03/03/10

Bill Callahan

The Road (2010)


Um homem e o seu filho percorrem a estrada, em direcção à costa, num mundo post-apocalíptico. Não sabemos o que aconteceu antes, não sabemos qual o seu objectivo. Sabemos apenas que aquele homem e aquela criança têm que sobreviver numa terra queimada, destruída, coberta de cinzas, enfrentando o frio e a chuva e a falta de alimentos, de abrigos, de ajuda. Sabemos, também, que não há aves, nem peixes, nem qualquer outro tipo de animais e que as árvores estão mortas, queimadas, que as cidades estão desertas, apenas habitadas por cadáveres ressequidos. Sabemos, ainda, que há outros homens e outras mulheres, sujos e andrajosos como eles, famintos e desesperados como eles, mas o homem e a criança têm que os evitar.
De vez em quando, ao longo da estrada, surge uma casa abandonada, com uma despensa repleta de conservas fora de prazo, de barras de chocolate com bolor, de bidões com água e de botijas de gás e que o homem e a criança fazem um festim e tomam banho e são felizes por dois dias. E depois, voltam à estrada.
O instinto de sobrevivência, em estado puro. O engenho do homem, para conseguir proteger o seu filho e fazer, de pequenos objectos, as armas da sobrevivência.

02/03/10

Discos da minha vida - 1


KEITH JARRETT - THE KOLN CONCERT (1975)
Aqui começo uma série em que apresentarei os discos da minha vida, que me acompanharam em determinadas alturas da minha vida, que me marcaram e impressionaram, com tudo o que isso tem de subjectivo e circunstancial. Com esta ordem de apresentação não pretendo atribuir qualquer critério preferencial.

O Laço Branco

Após ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, “O Laço Branco”, de Michael Haneke conquistou os troféus para o melhor filme, melhor realizador e melhor argumento nos European Film Awards/Prémios do Cinema Europeu. Como se não bastasse a American Society of Cinematographers atribuiu-lhe o seu prestigiado prémio pela direcção fotográfica (Christian Berger).




01/03/10

Novidades - Joanna Newsom


"Have one on me" (2010)

Na mesinha de cabeceira


Paul Auster - "Invisível"

28/02/10

A cultura ficou mais pobre em 2009

João Aguardela – Músico (A Naifa)
John Updike – Escritor
Lagoa Henriques – Escultor
J.G. Ballard – Escritor
Vasco Granja – Divulgador cinema animação
João Bénard da Costa – Director Cinemateca
David Carradine – Actor
José Calvário – Maestro e compositor
Farrah Fawcett – Actriz
Michael Jackson – Músico
Pina Bausch – Bailarina e coreógrafa
Raul Solnado – Actor e humorista
Hildegard Behrens – Cantora lírica
Jim Dickinson – Músico e produtor musical
José Morais e Castro – Actor
Ellie Greenwich – Compositora pop
João Vieira – Pintor
Jim Carroll – Escritor, poeta e músico
Paul Burke – Actor
Willy Ronis – Fotógrafo
Patrick Swayze – Actor
Henry Gibson – Actor
Jorge Vasques – Actor
Mercedes Sosa – Cantora
Jake Brockman – Músico (Echo & The Bunnymen)
António Sérgio – Radialista
Claude Lévi-Strauss – Escritor e antropólogo
Francisco Ayala – Escritor
Mário Barradas – Encenador

Escrito na Pedra


"A realidade é um lugar péssimo, mas o único onde se pode comer um bom bife" Woody Allen

Os gostos de Filomena Cautela



A revista de cinema Premiere de Fevereiro convidou a apresentadora Filomena Cautela a revelar os seus gostos cinéfilos na secção "DVDteca Ideal" Olga Roriz à mistura com Wim Wenders, Fellini e David Lynch, revela muito bom gosto:

- "O Sétimo Selo" (1957) de Ingmar Bergman
- "Colecção Jonh Cassavetes" (1959-1977) de Jonh Cassavetes
- "O Feiticeiro de Oz" (1939) de Victor Fleming
- "Veludo Azul" (1986) de David Lynch
- "Eduardo Mãos de Tesoura" (1990) de Tim Burton
- "As Asas do Desejo" (1987) de Wim Wenders
- "Quem Tramou Roger Rabbit?" (1988) de Robert Zemeckis
- "A Doce Vita" (1960) de Fedrico Fellini
- "Iris" (2001) de Richard Eyre
- "French & Saunders (1987-...) de Vários
- "Coreografias Olga Roriz" (1990-200) de Rui Simões
- "Woodstock" (1970) de Michael Wadleigh
- "Trilogia a Guerra das Estrelas (IV V VI) (1977-1983) de Vários

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