02/05/10

L´Age d´Or (1930)


Não é de espantar que o filme tenha despertado emoções contraditórias e uma controvérsia entre os surrealistas e organizações de extrema direita, as quais realizaram manifestações, que deram origem por exemplo a estragos em salas de cinema, à proibição da exibição da película por parte da polícia, a polémicas críticas e políticas violentas. É famosa a intervenção de Henry Miller que, sobre o filme e o seu realizador, disse: “ Ou somos feitos como o resto da humanidade civilizada, ou somos orgulhosos e íntegros como Buñuel. Se formos orgulhosos e íntegros, seremos então também anarquistas e atiraremos bombas.”
A Idade do Ouro legou-nos algumas das imagens mais inesquecíveis do cinema: os bispos mumificados; a vaca em cima de uma cama, numa mansão elegante da alta burguesia;Lya Lys a chupar o dedo do pé de uma estátua.
Buñuel põe em causa todo o poder exercido pela religião, pela família, pela política e pela sociedade em geral.Cria imagens surrealistas que visam libertar o homem das amarras impostas pelo moralismo da sociedade e suas instituições.
Este foi o segundo filme de Buñuel, o primeiro sonoro. Dois anos antes, com Um Cão Andaluz, Buñuel fizera uma curta experimental fruto de dois sonhos que ele e Dali tiveram e que se viria a tornar num filme-manifesto do surrealismo.
A Idade do Ouro é uma película que existe fora do tempo e cujo poder de perturbar e chocar não se desgasta com o passar dos séculos.

4 comentários:

  1. Mas o mais chocante é o final, aquele final alusivo ao Marquês de Sade.

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  2. É verdade.É um desfecho impressionante, totalmente coerente com o seu pensamento sempre disposto a construir críticas e provocar a sociedade.

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  3. Sou fã do Buñuel e dos seus filmes surrealistas (ainda hoje falei disso numa aula), mas eu prefiro o "Chien Andalou" a este "L'age D'or".

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  4. É uma falha imperdoável, mas eu ainda não vi Chien Andalou. Não há-de faltar muito.:)

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